México converte milícias em polícia rural

Governo desmobiliza grupos de autodefesa, que lutavam contra cartéis, e cria força policial com mais de 3 mil agentes

AFP, O Estado de S.Paulo

12 Maio 2014 | 02h06

TEPALCATEPEC, MÉXICO - As autoridades mexicanas começaram no fim de semana a entregar uniformes azuis e armas de assalto a milicianos do Estado de Michoacán, com o objetivo de legalizar o movimento formado no ano passado para combater o narcotráfico.

Os camponeses formaram filas em uma fazenda para receber o uniforme da nova Polícia Estatal Força Rural de Tepalcatepec, um dos primeiros povoados a ver o surgimento das chamadas autodefesas do Estado de Michoacán.

Essas unidades também fizeram sua estreia no povoado vizinho de Buenavista, que se rebelou em fevereiro de 2013 contra o culto ao cartel Cavaleiros Templários, uma organização criminosa que era protegida pela polícia local.

"Não vamos andar como ilegais", declarou depois de colocar o uniforme Estanislao Beltrán, um homem com uma longa barba branca apelidado de "Papá Pitufo" e um dos porta-vozes das autodefesas. "Com isso somos parte do governo."

Guerra. Cerca de cem novos policiais rurais cantaram o hino nacional em uma cerimônia de juramento na Praça do Povo, em Tepalcatepec. O governo informou posteriormente que 450 pessoas prestaram juramento no total. "Agora, temos a responsabilidade de defender nossos irmãos, suas famílias, seus vizinhos e todos aqueles que possam ser prejudicados pelo crime comum e organizado", declarou Alfredo Castillo, comissário especial para a segurança de Michoacán e homem de confiança do presidente Enrique Peña Nieto.

O governo federal, que sempre tolerou os milicianos, advertiu que qualquer pessoa que portar armas ilegalmente depois do prazo limite de sábado será detida.

Depois que as autoridades prenderam ou mataram três das quatro principais cabeças dos Cavaleiros Templários, os milicianos assinaram, no mês passado, um acordo para registrar e guardar suas armas ou se unir à força rural recentemente criada.

Violência. A desmobilização ocorre no momento em que as milícias estão divididas - um de seus fundadores está preso e outro foi destituído. Há ainda muitas acusações entre eles de vínculos com o narcotráfico e autoridades já comprovaram que os cartéis infiltraram informantes nos grupos de autodefesa.

Embora o momento seja conturbado, mais de 3,3 mil pessoas de um número estimado de 20 mil integrantes das autodefesas pediram para se unir à polícia rural, segundo autoridades mexicanas.

Apesar de o prazo de adesão à força rural ter expirado no sábado, Castillo declarou que eles terão mais alguns dias para se incorporar, diante de uma demanda inesperada. "Para mim, é um orgulho vestir este uniforme", declarou Arturo Barragán, de 35 anos, ex-miliciano e agora policial rural.

O crescimento registrado do movimento formado pelas autodefesas, que se estendeu a 30 povoados, havia despertado temores sobre sua possível transformação em uma perigosa força militar.

A violência em Michoacán se converteu em um dos principais desafios para Peña Nieto, que mobilizou milhares de tropas na região para restaurar a ordem, no ano passado, e designou Castillo como seu enviado de segurança especial neste ano.

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