México destitui 10% de seus policiais por corrupção ou ligação com cartéis

Limpeza. Uma semana após a chacina de 72 imigrantes estrangeiros, a Polícia Federal mexicana anuncia a expulsão de 3,2 mil agentes federais; ação é o maior expurgo realizado na corporação desde que o presidente Felipe Calderón chegou ao poder, em 2006

EFE, REUTERS e AP, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2010 | 00h00

CIDADE DO MÉXICO

Uma semana depois da descoberta do massacre de 72 estrangeiros - incluindo pelo menos 2 brasileiros - por integrantes do cartel de narcotráfico Los Zetas, a Polícia Federal mexicana anunciou ontem a exoneração de 3,2 mil agentes, 10% do seu efetivo. Os policiais afastados são suspeitos de corrupção e envolvimento com o crime organizado. Outros 1.500 serão destituídos numa segunda etapa.

A medida representa o maior expurgo na polícia desde que o presidente Felipe Calderón chegou ao poder, em 2006, e é parte da estratégia de revisão e centralização da corporação responsável pela luta contra os cartéis do narcotráfico, que atuam também como "coiotes", facilitando a entrada de imigrantes ilegais nos Estados Unidos. 

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A Polícia Federal contava com 34.500 agentes antes das demissões, mas, segundo algumas fontes, está contaminada pela corrupção. O grupo Los Zetas é formado principalmente por ex-militares e ex-policiais mexicanos.

As chacinas tornaram-se comuns no México, onde 28 mil pessoas morreram desde 2006, quando Calderón assumiu e ordenou que o Exército fosse para as ruas numa declaração de guerra aos cartéis.

O governo mexicano busca agora estabelecer uma polícia unificada para todo o território, com um comando centralizado, para reduzir a corrupção e retirar os 50 mil membros das Forças Armadas que se envolveram nas operações de combate ao narcotráfico.

Sobrevivente. O único sobrevivente do massacre em San Fernando, no Estado de Tamaulipas, foi levado de volta ao Equador sob forte esquema de segurança em um avião cedido pela presidência equatoriana. O ministro de Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patiño, disse que Luis Freddy Lala Pomavilla e a família dele estão sob a proteção do governo de Quito.

O chanceler pediu ainda que os parentes deem informações que ajudem a identificar os imigrantes do grupo massacrado no México.

A Justiça mexicana decretou ontem a prisão preventiva do único detido pelas mortes dos 72 ilegais. Exames médicos comprovaram que Eduardo Rico Pérez tem mais de 18 anos e poderá ser processado judicialmente. Ele foi preso durante a troca de tiros entre policiais e narcotraficantes na fazenda onde estavam os corpos - encontrados após a denúncia do equatoriano, que sobreviveu porque os bandidos pensaram que ele já estivesse morto.

Até o momento, foram reconhecidas 40 vítimas, incluindo 15 hondurenhos, 13 salvadorenhos, 5 guatemaltecos, 6 equatorianos e 1 brasileiro - Juliard Aires Fernandes. O segundo cidadão brasileiro, Hermínio Cardoso dos Santos, teve os documentos encontrados no local do massacre, mas seu corpo ainda não foi identificado (mais informações nesta página).

Preocupado com a crescente violência no país vizinho, o governo americano anunciou ontem que ampliará o uso de aviões não tripulados para reforçar a segurança na fronteira com o México a partir de amanhã.

A secretária de Segurança Nacional dos EUA, Janet Napolitano, anunciou o aumento da vigilância da Califórnia até a área do Golfo do México, no Estado do Texas.

SEMANA SANGRENTA

1- Ciudad Juárez:

Policial morre na 2ª-feira

2- San Fernando:

Corpos de 72 ilegais achados

na 3ª-feira

3- Monterrey: Soldados

matam 4 suspeitos na 6ª-feira

4- Ciudad Victoria:

Carros-bomba explodem na

6ª-feira

5- Acapulco:

14 corpos encontrados na 6ª-feira

6- Reynosa: granadas

deixam 15 feridos no sábado

7- Hidalgo: Prefeito morto por traficantes no domingo

8- Veracruz: 7 mortos ontem

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