SEDENA/EFE
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México divulga vídeo da prisão do filho do traficante El Chapo

Secretaria de Defesa Nacional tornou públicas imagens da operação que deteve Ovidio Guzmán em 17 de outubro; ação frustrada desatou tiroteio que durou mais de cinco horas em Culiacán

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2019 | 14h40

MÉXICO - O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, divulgou nesta semana um vídeo do momento da detenção do filho do chefão do tráfico Joaquín "El Chapo" Guzmán, durante uma recente operação frustrada, que levou a sua libertação.

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"Que se saiba tudo o que aconteceu", disse López Obrador, em sua coletiva matinal à imprensa na quarta-feira, na qual o gabinete de segurança fez um revisão minuto a minuto da operação de 17 de outubro em Culiacán, bastião do cartel de Sinaloa.

Segundo o titular da Secretaria de Defesa Nacional (Sedena), Luis Cresencio Sandoval, o presidente mexicano foi informado do que estava ocorrendo em Culiacán cerca de 30 minutos depois da gravação do vídeo.

A violência promovida pelos traficantes aliados depois da prisão de Ovidio, considerado o herdeiro de "El Chapo" no comando do poderoso Cartel de Sinaloa, fez o governo do México libertá-lo para proteger a população de Culiacán da quadrilha.

Na entrevista não foi apresentado o vídeo da libertação de Ovidio Guzmán, e sim outras imagens que mostram homens da Guarda Nacional (composta por policiais federais e militares) sendo atacados em diferentes pontos de Culiacán pela captura do filho de Chapo.

No vídeo da captura, aparentemente gravado por uma câmera acoplada ao capacete de um dos soldados, vê-se o momento em que as forças de segurança obrigam Ovidio Guzmán a sair de casa. Uma mulher e outros dois homens estão atrás dele.

Enquanto atravessa a porta, um soldado diz a Ovidio, que se detém para colocar um boné: "tranquilo, tranquilo". Na sequência, ele é obrigado a ficar de joelhos virado para um muro.

"Diga ao seu pessoal que pare tudo, diga ao seu pessoal que pare tudo", afirma o militar a Ovidio, referindo-se à batalha campal travada nos arredores da casa, localizada no bairro de Tres Ríos, entre traficantes e policiais.

Por um momento, a câmera se desvia para a mulher, que diz aos soldados que há crianças dentro da casa. Em outro giro da câmera se observa Ovidio, já de pé, com um celular na mão. 

"Diga para que parem com tudo, já me entreguei, parem com tudo, por favor. Parem tudo agora, acalmem-se, não há mais maneira. Diga a eles que vão embora. Diga-lhes que não quero que haja violência. Não quero que haja violência, por favor!", diz Ovidio, com calma, a seu interlocutor no telefone.

Em 17 de outubro, o tiroteio durou mais de cinco horas. Um helicóptero da polícia foi atacado a tiros. "Quando veem estas coisas, como acontecem, é quando se compreende melhor por que se ordenou parar a operação", declarou López Obrador, após a transmissão do vídeo da operação frustrada que envolveu o país.

Novo abordagem contra violência

López Obrador defendeu reiteradas vezes a decisão de libertar Ovidio. O presidente do México argumenta que a política de segurança de seu governo não passa por um confronto direto com o crime organizado, mas sim por resolver as causas sociais que levam as pessoas ao crime.

O secretário de Segurança e Proteção Cidadã, Alfonso Durazo, disse confiar no plano contra a violência do governo, apesar de a operação contra Ovidio ter fracassado. Para ele, a ação foi "precipitada".

"Decidimos não continuar com a ideia conservadora de guerra contra o narcotráfico, essa estratégia belicista que não só traz violência, mas também tornou as próprias instituições de segurança em protagonistas dessa violência, como poderia ter ocorrido em Culiacán", explicou Durazo. / AFP e EFE 

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