Martin Alipaz/ EFE
Martin Alipaz/ EFE

México diz que Bolívia está assediando sua embaixadora em La Paz

Clima ficou tenso entre os países após os mexicanos concederem asilo para o ex-presidente Evo Morales

Redação, O Estado de S. Paulo

26 de dezembro de 2019 | 02h59

CIDADE DO MÉXICO - O México denunciou na última quarta-feira, 25, a presença crescente de forças de segurança bolivianas, incluindo o uso de drones, em torno da residência da embaixadora mexicana na capital La Paz, onde um grupo de ex-ministros do Gabinete e outras figuras leais ao ex-presidente Evo Morales buscaram refúgio após a crise política que se iniciou com a sua renúncia.

Tropas se reuniram em maior número em torno da residência a partir da terça-feira, 24, informou o Ministério das Relações Exteriores do México. Maximiliano Reyes, subsecretário do México para a América Latina, descreveu as patrulhas bolivianas em torno da propriedade diplomática como sendo um "cerco".

Em uma nota diplomática de queixa ao Ministério das Relações Exteriores da Bolívia, o México disse que os drones voando sobre a residência da sua embaixadora "resultariam em uma intromissão indevida à sua vida pessoal".

Ao mesmo tempo, o ministério também disse que convocou o diplomata boliviano, que representa os assuntos de seu país no México, para "explicar as ações das autoridades da Bolívia".

O país reclamou ainda que as autoridades bolivianas de segurança e inteligência cercaram a residência e o escritório da embaixadora mexicana, registrando o movimento de pessoas dentro e fora das instalações e até impedindo o "trânsito livre" da embaixadora.

Erick Foronda, secretário presidencial da Bolívia, negou que as autoridades estejam interferindo nos movimentos dos diplomatas do México. "A presença da polícia nas instalações diplomáticas foi aumentada por razões de segurança, após relatos de manifestações terem sido planejadas na área", disse.

 

Asilo para Evo Morales abalou a diplomacia entre os países

A situação entre ambas as nações segue tensa desde que o México ofereceu asilo político a Evo Morales, cuja renúncia em 10 de novembro deste ano foi motivada após os seguidos escândalos de fraude eleitoral, que levaram multidões às ruas. Desde então, o ex-presidente se mudou para a Argentina e disse que ainda planeja se envolver com política na Bolívia

Enquanto isso, alguns de seus ex-assessores permanecem escondidos na residência da embaixadora mexicana no país sul-americano. Tudo porque Willson Santamaria, vice-ministro de segurança pública da Bolívia, disse que os partidários de Morales não teriam permissão para deixar o país. "Tomamos as medidas necessárias para que as forças de segurança rastreiem e detectem imediatamente qualquer ajuda ou ato de cumplicidade que colaborem para que os fugitivos deixem o país", disse ele.

Entre os que procuraram refúgio na residência da embaixadora mexicana estão Juan Ramón Quintana, ex-chefe de gabinete de Morales, e outros cinco ex-ministros do Gabinete, segundo relatou uma autoridade federal mexicana.

O funcionário não estava autorizado a comentar publicamente sobre o assunto e falou sob a condição de anonimato. Vários dos ex-funcionários de Morales estão sendo acusados ​​pelo governo interino da presidente Jeanine Áñez de fraude eleitoral ou outros crimes./ AP

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