JIM WATSON / AFP
JIM WATSON / AFP

México diz que não aceitará medidas migratórias unilaterais dos EUA

Secretários americanos se reunirão com o presidente mexicano na quinta-feira para discutir segurança nas fronteiras e comércio

O Estado de S. Paulo

22 Fevereiro 2017 | 16h58

CIDADE DO MÉXICO - O México não aceitará novas propostas unilaterais de imigração dos Estados Unidos e não hesitará em se aproximar da Organização das Nações Unidas para defender os imigrantes, disse o ministro de Relações Exteriores do país, Luis Videgaray, nesta quarta-feira, 22, antes de uma reunião com autoridades americanas.

Videgaray afirmou que as novas propostas dos EUA serão o principal ponto de discussão das próximas reuniões entre autoridades mexicanas e os secretários americanos de Estado, Rex Tillerson, e de Segurança Interna, John Kelly, na quarta e quinta-feiras.

Nesta quinta, os secretários do presidente americano, Donald Trump, se reunirão com o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto. Os principais temas da agenda, segundo Washington, serão segurança fronteiriça, cooperação policial e comércio. O objetivo, afirma o México, é trabalhar "em favor de uma relação respeitosa, próxima e construtiva".

Desde que Trump chegou à Casa Branca, há um mês, os dois vizinhos atravessam uma crise diplomática.

Durante a campanha, o magnata começou a tensionar as relações referindo-se aos mexicanos como "homens maus, delinquentes e estupradores".

Após a posse, Trump ordenou a construção de um grande muro na fronteira e insistiu que seja pago pelo México. Em reação, Peña Nieto cancelou a viagem a Washington que planejava para 31 de janeiro.

Trump também prometeu deportações maciças de imigrantes ilegais, que nas últimas semanas se traduziram em inúmeras detenções de migrantes. E ameaçou impor tarifas às importações mexicanas, bloquear as remessas e renegociar, ou até revogar, o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), cujos termos considera muito favoráveis ao México.

Ainda assim, Videgaray insiste que os dois países estão trabalhando em um entendimento desde que ele viajou a Washington há 15 dias para se reunir com Tillerson. "O México é um país que quer construir pontes, que não deseja construir muros", afirmou Videgaray na Alemanha.

Negociações. O chanceler mexicano advertiu que a reunião desta quinta será apenas mais uma de uma longa lista. Buscando impedir que Washington imponha condições que atentem contra a soberania nacional, o Senado mexicano elaborará um decreto legislativo que defina e limite os termos da negociação.

O documento incluirá, explicou aos jornalistas o presidente da Junta de Coordenação política do Senado, Fernando Herrera, as cinco questões chave desta crise: migração, direitos humanos, comércio e economia, segurança na fronteira e a construção do muro. "É preciso negociar com firmeza, com inteligência, preservando nossa soberania e com a dignidade à qual todos os mexicanos estão se referindo", acrescentou, em alusão aos protestos que nos últimos dias exigiram firmeza do governo de Peña Nieto.

Segundo os especialistas, a insegurança na fronteira ligada ao narcotráfico e à entrada de imigrantes sem documentos nos EUA diminuiu consideravelmente nos últimos anos graças à cooperação das autoridades mexicanas. Em 2016, o México deportou 147.370 migrantes, contra 80.900 em 2013, segundo números governamentais.

Economia. Segundo um relatório do BBVA Research, "a incerteza em torno das políticas econômicas da nova administração americana", em particular a renegociação do NAFTA, já está afetando a confiança das empresas no México e fará os investimentos caírem.

Primeiro sócio comercial do México, os EUA recebem 80% das exportações mexicanas. Assim, o serviço de estudos do banco espanhol prevê que a economia mexicana crescerá 1% em 2017, contra 2% em 2016.

Neste contexto, o secretário mexicano de Economia, Ildefonso Guajardo, deu a entender que, se Washington quiser impor condições comerciais inaceitáveis, o México pode interromper sua cooperação em outros campos.

"Fomos um grande aliado na luta contra os problemas de migração, narcóticos", afirmou no sábado ao jornal canadense The Globe and Mail.

Mas, "se em algum momento a relação for mal administrada, diminuirão os incentivos para que o povo mexicano siga cooperando em questões que estão no coração da segurança" americana, acrescentou. /AFP e REUTERS

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