Alfredo ESTRELLA / AFP
Alfredo ESTRELLA / AFP

México revê dados e total de mortes por covid sobe 60%

Revisão com base em algoritmos é uma estimativa que faz número de óbitos ultrapassar 320 mil, o que colocaria país à frente do Brasil

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2021 | 20h05

CIDADE DO MÉXICO - O governo do México alerta há meses que a estatística de mortes por covid-19 no país subestima o número total de vítimas. Ainda assim, surpreendeu no fim de semana ao revisar seus dados e elevar o total de óbitos em 60%. 

As mortes em razão da pandemia teriam ter ultrapassado a marca de 322 mil, segundo um documento oficial que leva em consideração palavras ligadas à pandemia escritas nas certidões de óbito. Isso colocaria o país como o segundo com mais mortes no mundo, superando o Brasil e deixando a nação de 126 milhões de habitantes atrás apenas dos Estados Unidos

"Isso nos permite, através de algoritmos de bucas de termos relacionados com a covid-19, identificar as certidões que mencionam palavras como covid-19, Sars-CoV-2, coronavírus, entre outras", analisou o subsecretário de Prevenção e Promoção da Saúde, Hugo López-Gatell. A mudança ainda não é visível no site da Universidade Johns Hopkins, que faz um levantamento em tempo real dos casos e mortes por covid-19 no planeta. 

O documento chamado "Excesso de Mortalidade no México" informou que até a sexta semana de 2021, que terminou no dia 13 de

fevereiro, o país havia registrado 294.287 mortes relacionadas à doença. Esse número supera em 120.576 as 173.711 mortes oficiais reportadas na época. A metodologia consistiu em utilizar como variável a causa de morte registrada nas certidões de óbito.

Desde 13 de fevereiro, o governo notificou um total de 27.538 mortes por covid-19 nos comunicados diários, o que significa pelo menos 322.365 mortes causadas pelo coronavírus. A quantidade supera o número de óbitos do Brasil, que tem 312 mil, e é inferior apenas aos 549 mil mortos registrados nos EUA.

O México aposta em uma estratégia que consiste na realização de poucos testes, como mostra o índice de positividade de aproximadamente 50%, e se concentra em ampliar a capacidade dos hospitais, e não em frear os contágios.

Embora o país tenha 2,2 milhões de casos confirmados de covid-19, Gatell afirmou nesta semana que até 50% da população já estaria imune por ter sido infectada. Especialistas advertiram que as contas diárias da Secretaria de Saúde costumam excluir as pessoas que morrem em casa por não terem acesso a serviços sanitários.

A metodologia do novo relatório é similar à utilizada pelo Instituto Nacional de Estatística e Geografia (Inegi), que concluiu que o México teve 108.658 mortes por covid-19 nos primeiros oito meses de 2020, número 55% superior aos 69.849 óbitos reportados pelas autoridades sanitárias até agosto. / EFE e Reuters 

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