México extradita chefes de cartel de drogas para os EUA

O México extraditou quatro chefes do tráfico de drogas para os Estados Unidos, em um grande golpe contra os cartéis, que em guerras entre si mataram 2 mil pessoas no ano passado e transformaram grandes áreas do país em terra sem lei. Osiel Cárdenas, suposto chefe do cartel do Golfo do México, era o mais famoso dos 11 traficantes de drogas enviados de avião na sexta-feira para enfrentar julgamento nos EUA. Ele foi preso em 2003 depois de um tiroteio, mas continuava a dirigir o tráfico. Também foi extraditado Héctor "El Guero" Palma, um dos principais comparsas do homem mais procurado no México, Joaquín "El Chapo" Guzmán, chefe do poderoso cartel de Sinaloa, que fugiu de uma penitenciária de segurança máxima escondido em uma van de lavanderia há seis anos. O presidente Felipe Calderón, empossado em dezembro, enviou tropas e unidades de elite da polícia para combater as principais gangues de drogas do México e pôr fim à onda de violência resultante da luta entre os cartéis rivais pelas rotas de contrabando e os campos de drogas. A extradição em massa é a maior da história do México e pode representar um revés significativo para o tráfico. "Nunca antes os Estados Unidos receberam do México um número tão grande de importantes réus em processos relacionados ao tráfico e outros criminosos para serem processados neste país", disse no sábado Alberto Gonzales, da Justiça norte-americana. No ano passado, o então presidente Vicente Fox disse que extraditaria mais chefes do tráfico, mas previu que os cartéis retaliariam duramente. Na década de 1980, a política colombiana de extraditar líderes de cartéis para os EUA provocou uma forte reação e o governo acabou recuando, depois que uma campanha de explosão de bombas e assassinatos deixou dezenas de mortos. Líderes do tráfico presos no México muitas vezes conseguem manter o gerenciamento de seus cartéis por trás das grades, o que torna a extradição uma importante ferramenta para limitar o poder deles.

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