México forte conterá êxodo, diz Obama

Na capital mexicana, líder americano afirma que progresso econômico local controlará imigração

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2013 | 02h02

O presidente americano, Barack Obama, defendeu ontem uma relação livre de "velhos estereótipos" entre EUA e México. O progresso da economia mexicana, afirmou em duas ocasiões o líder americano, significará a queda do fluxo de imigrantes ilegais para o território americano.

"Não há razão para (o jovem mexicano) ir ao exterior em busca de uma vida melhor. Há boas oportunidades aqui. E vocês são um exemplo disso", afirmou a centenas de estudantes no pátio central do Museu de Antropologia, na Cidade do México, no seu segundo dia de visita oficial.

"Eu acredito que a solução de longo prazo para o desafio da imigração ilegal (nos EUA) é o crescimento e a prosperidade do México capaz de criar mais empregos e oportunidades para os jovens aqui", insistiu.

Obama defendeu a construção de uma parceria mais intensa para elevar a competitividade de ambas as economias. Ele salientou que não se trata apenas de uma preparação da América do Norte para concorrer com a Ásia.

O presidente americano injetou otimismo na plateia com seu discurso. Argumentou ter chegado a hora de ambos os lados enxergarem "novas realidades". Enfatizou, entre elas, o "progresso impressionante do México", o elevado grau de integração entre as economias e o desafio comum de concorrer no mercado de bens e serviços com a região mais dinâmica do mundo, a China e o Sudeste Asiático.

O México, conforme insistiu, não pode mais ser visto pela lógica das manchetes sobre a violência na fronteira. Os mexicanos, segundo ele, tampouco podem continuar a ver os EUA como uma ameaça a sua soberania.

Obama lembrou que o México compra mais mercadorias americanas do que o conjunto dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), tem uma poderosa indústria e "foi o único país latino-americano a se tornar sede de um encontro do Grupo dos 20".

"O México está se transformando, assim como os laços entre os nossos dois países", disse.

Mea culpa. Embora tenha insistido que a relação bilateral não pode ser definida pelas ameaças enfrentadas pelos dois lados - o tráfico de armas e de droga e a lavagem de dinheiro -, Obama não deixou de tocar nesses temas, para manter sua pressão sobre o Congresso americano.

"Nos EUA, nós reconhecemos nossas responsabilidades. Nós entendemos que boa parte da razão central da violência no México, que tem causado sofrimento a muitos mexicanos, é a demanda por drogas ilegais nos EUA. Então, temos de continuar a progredir nessa frente", afirmou. "Eu reconheço que muitas das armas usadas para cometer crimes aqui no México vêm dos EUA."

Por fim, Obama admitiu que, sem o voto de mexicanos residentes nos EUA, ele não teria sido reeleito presidente do país.

Em sua visita oficial, ele propôs aos mexicanos uma relação "entre iguais", "sem parceiro sênior nem parceiro júnior". Esse conceito já havia sido apresentado por ele a todos os países do Hemisfério durante a Cúpula das Américas de 2009 e durante sua visita a Brasil, Chile e El Salvador, em 2011.

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