México identifica 20 vítimas do massacre; um corpo é de brasileiro

Identidades não foram reveladas; legistas seguem trabalho de necrópsia

Agência Estado e Associated Press

27 de agosto de 2010 | 09h11

SAN FERNANDO - As autoridades do México identificaram pelo menos 20 dos 74 mortos em um massacre no país. O subprocurador de Justiça do Estado de Tamaulipas, Jesús de la Garza, disse à emissora de TV Milênio que oito das vítimas identificadas eram de Honduras, quatro de El Salvador, duas da Guatemala e uma do Brasil. A nacionalidade das outras quatro não foi divulgada. O grupo foi aparentemente morto por membros do cartel Los Zetas quanto tentava imigrar para os EUA.

 

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O trabalho de identificação continua, em uma funerária de San Fernando, resguardada por membros da Marinha do México armados com fuzis. Segundo as informações iniciais de autoridades mexicanas, quatro dos mortos eram brasileiros. Segundo as autoridades, 40 necrópsias haviam sido realizadas até então.

 

O porta-voz de segurança do governo federal, Alejandro Poiré, disse à Radio W que aparentemente os imigrantes foram assassinados após se negarem a colaborar com Los Zetas. "O que este episódio revela, com a informação de que dispomos até agora, é uma modalidade de recrutamento forçado", explicou. "Nem sequer é um sequestro com intenção aparentemente pecuniária, mas sim forçá-los a participar nas estruturas do crime organizado."

 

As vítimas foram encontradas na terça-feira, em uma fazenda perto de San Fernando, cidade de 30 mil pessoas no Estado de Tamaulipas. Há diplomatas de Brasil, El Salvador, Equador e Honduras em San Fernando para acompanhar os trabalhos de identificação. Outros dois corpos foram encontrados nesta sexta.

 

Nesta sexta-feira, o jornal Reforma informou em seu site que dois funcionários estaduais encarregados da investigação do massacre haviam desaparecido, no dia anterior. Caso se confirme que Los Zetas foi o grupo responsável pelo crime, este será o episódio mais sangrento desde que o presidente Felipe Calderón lançou uma ofensiva contra o narcotráfico no país, no fim de 2006. Mais de 28 mil pessoas morreram desde então em incidentes relacionados ao tráfico de drogas no México.

 

Calderón disse que o caso é um novo sinal de que os cartéis estão sendo prejudicados pela ofensiva com milhares de soldados e policiais federais e assim buscam de modo desesperado meios alternativos de conseguir dinheiro. Já ativistas pelos direitos dos imigrantes atribuem a violência à indiferença governamental.

 

Calcula-se que, a cada ano, quase 300 mil imigrantes ilegais cruzam a fronteira sul do México com a intenção de chegar aos EUA. Muitos deles são vítimas de extorsão, roubo, estupro e sequestro.

 

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