México identifica corpo de 2º brasileiro vítima de chacina

Documentos de Hermíno Cardoso dos Santos, de Sardoá (MG), já tinham sido achados no local do massacre

, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2010 | 00h00

BRASÍLIA

O Ministério de Relações Exteriores informou ontem que foi identificado o corpo do mineiro Hermínio Cardoso dos Santos, de 24 anos, entre os mortos na chacina de imigrantes ilegais na cidade de San Fernando, no Estado de Tamaulipas, nordeste do México.

De acordo com o Itamaraty, a Procuradoria-Geral do México enviou ontem um comunicado ao consulado brasileiro informando que as impressões digitais enviadas pelo governo do Brasil coincidiram com as de um dos corpos da matança do dia 24 que não estavam com documentos.

As autoridades mexicanas já tinham identificado o corpo de outro mineiro, Juliard Aires Fernandes, de 20 anos, mas haviam encontrado apenas os documentos de Santos. A família do jovem já foi avisada sobre a identificação do corpo, que será trasladado para Minas Gerais juntamente com o de Fernandes.

Santos era natural da cidade de Sardoá e Fernandes de Santa Efigênia de Minas, localidade próxima a Gonzaga, de onde era Jean Charles de Menezes, morto por policiais em Londres ao ser confundido com um terrorista.

Os dois mineiros, que eram amigos de infância, tinham ido no início do mês passado a Governador Valadares, onde pagaram R$ 24,5 mil cada um a agenciadores que os ajudariam a entrar ilegalmente nos EUA pelo México. Desde então, os parentes não tiveram mais notícias dos dois.

De acordo com a mãe de Santos, Maria Cardoso, conhecida como dona Lilia, o jovem queria ir para Boston - onde se encontraria com um amigo -, para "ganhar algum dinheiro e se manter na vida quando os pais faltassem. Dona Lilia e o marido, Antonio, vivem em uma casa humilde no Córrego dos Firmino, na zona rural de Sardoá, onde criaram sete filhos, dos quais Santos era o caçula.

PARA LEMBRAR

Maioria dos 72 mortos era da América Central

O massacre de 72 estrangeiros que tentavam entrar ilegalmente nos EUA através da fronteira com o México foi atribuído pelas autoridades mexicanas ao cartel Los Zetas, responsável por boa parte do tráfico de metanfetaminas para o território americano. Além dos dois brasileiros, morreram na chacina hondurenhos, salvadorenhos, guatemaltecos e equatorianos. De acordo com um sobrevivente, eles foram executados depois de rejeitar trabalhar para o cartel.

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