México ignora denúncias de violência contra imigrantes, dizem religiosos

Segundo entidade, chacina contra 72 pessoas no estado de Tamaulipas não é fato isolado

Efe,

26 de agosto de 2010 | 20h27

MONTERREY, MÉXICO- Representantes pastorais mexicanos denunciaram nesta quinta-feira, 26, que há mais de quatro anos suas denúncias de que o cartel do tráfico Los Zetas está sequestrando e assassinando imigrantes no nordeste do país não foram atendidas pelas autoridades.

 

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"Afirmamos que a chacina cometida contra 58 homens e 14 mulheres imigrantes não é um fato isolado", explicou em entrevista coletiva o padre Pedro Pantoja, representante da Associação de Casas del Migrante do México, entidades civis em prol dos imigrantes.

 

Acompanhado do arcebispo da cidade de Saltillo, Pantoja explicou que entidades referentes a imigrantes constataram "como as ações de sequestro de imigrantes buscam não só pedir resgate, mas submetê-los a condições de exploração trabalhista e sexual, e para outros fins ilícitos".

 

O sacerdote condenou a falta de vontade do Instituto Nacional de Migração (INM) mexicano para aceitar a realidade de sistemática violação de direitos humanos dos imigrantes que cruzam o México.

 

Segundo ele, a chacina é uma mostra clara de que a política migratória atual do Estado mexicano não garante os direitos humanos dos imigrantes e permite este tipo de crime.

 

A comissária do Instituto Nacional de Migração (INM) do México, Cecilia Romero, disse nesta quinta que autoridades mexicanas resgataram no ano passado 812 imigrantes de "casas de segurança" controladas pelo crime organizado em Tamaulipas, estado onde ocorreu o massacre.

 

Segundo a funcionária, neste ano o México repatriou 43 mil imigrantes sem documentos.

 

Diplomatas

 

O cônsul-geral do Brasil no México, Márcio Araújo Lage, e o vice-cônsul, João Batista Zaidan Fernandes, chegaram à cidade mexicana de Reynosa, de onde acompanham as investigações sobre a chacina na qual quatro brasileiros foram mortos.

 

De acordo com o governo mexicano, todos eles viajaram até a região para ajudar na identificação das 72 vítimas da chacina. Até agora não se sabe as identidades dos assassinados.

 

Desde 2006, a violência relacionada ao tráfico de drogas no México deixou mais de 28 mil mortos, a maioria na área fronteiriça com os EUA. O governo destacou 50 mil militares para combater os traficantes.

 

 

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