México inicia recontagem parcial dos votos das eleições de 2 de julho

Após dias de protestos promovidos pela oposição mexicana exigindo a recontagem dos votos das eleições presidenciais do dia 2 de julho, fiscais eleitorais iniciaram nesta quarta-feira uma nova apuração parcial do pleito, que ainda não conta com um vencedor oficial. Ainda assim, manifestantes de esquerda que alegam que o processo eleitoral foi marcado por fraudes bloquearam a sede de bancos na capital mexicana e ameaçaram espalhar seus protestos por todo o país.Guardada por soldados e monitorada por 192 juízes eleitorais e representantes dos cinco partidos mexicanos, a recontagem parcial deve terminar já no domingo. A apuração ocorre em 11.839 mesas eleitorais, ou 9% das 130.477 instaladas para a eleição presidencial.Terminada a nova contagem, o Tribunal Eleitoral do Poder Judiciário da Federação (TEPJF) irá rever os resultados e poderá declarar um presidente eleito, anular a eleição ou ordenar uma contagem mais ampla.A medida ordenada pelo TEPJF depois que os resultados do pleito foram contestados pelo Partido da Revolução Democrática (PRD), do candidato esquerdista Andrés Manuel López Obrador, será realizada em 26 dos 32 estados mexicanos, a maioria vencida pelo governista Felipe Calderón, do Partido da Ação Nacional (PAN). Os sete juízes do tribunal negaram por unanimidade uma recontagem total dos votos, ordenando novas apurações apenas nas zonas eleitorais em que os problemas foram mais evidentes.Vitória apertadaSegundo a apuração oficial final, anunciada pelo Instituto Federal Eleitoral (IFE) em 6 de julho e realizada por quase um milhão de cidadãos sorteados, o conservador Calderón obteve 234.934 votos a mais que o esquerdista López Obrador, uma diferença de apenas 0,58 ponto percentual.Os analistas consideram que a apuração parcial é suficiente para determinar se houve fraude nas eleições presidenciais. López Obrador, por sua vez, desqualificou a atuação do IFE como juiz da disputa, e acusou a instituição de cometer fraude em favor de Calderón.Além disso, lançou uma campanha de resistência civil "pacífica" que vem tumultuando o trânsito na capital mexicana, com a interrupção de um trecho de oito quilômetros do Paseo de la Reforma, uma importante avenida da capital.O coordenador da coalizão "Pelo bem de todos", Guadalupe Acosta, anunciou nesta terça-feira que as ações de resistência se estenderão por todo o país.Os simpatizantes de López Obrador acamparam hoje em frente às sedes dos bancos BBVA Bancomer, Banamex e HSBC, e pedem uma recontagem total dos votos, medida recusada há cinco dias pelo Tribunal Eleitoral por unanimidade.Marti Batres, presidente do PRD na Cidade do México, justificou o ataque aos bancos explicando que "estas instituições financeiras apoiaram uma campanha suja contra López Obrador".O organismo tem até 31 de agosto para resolver o total de impugnações apresentadas pelos partidos políticos e até 6 de setembro para decidir sobre a validade da eleição e designar o presidente eleito.

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