México intima desaparecidos a aparecerem

A Procuradoria-Geral do México intimou 27 desaparecidos durante a "guerra suja" dos anos 70 a se apresentarem à Justiça. A medida foi tomada em resposta a uma demanda de familiares das vítimas de que a Procuradoria as localizasse."Não tenho a menor idéia do que se trata, temos sido enganados durante tanto tempo, que só podemos pensar o pior. Eles nos darão explicações, se é que pretendem fazê-lo", disse aos jornalistas Rosario Ibarra, que preside há mais de 20 anos o Grupo Eureka, uma organização de familiares dos desaparecidos na luta entre as forças de segurança e os guerrilheiros. As intimações, emitidas pela Procuradoria federal, chegaram à casa de Ibarra - entre elas, uma em nome de seu filho Jesús Piedra, a quem ela procura desde 1975. Seu não-comparecimento, diz a intimação, acarretará uma sanção judicial.Ibarra disse que, ao receber o documento, sentiu como se tivesse levado "um tapa na cara", e agora pergunta: "se a investigação começou assim, como vai terminar?"O Congresso mexicano já convocou o procurador federal para esclarecer como pretende investigar esses casos, mas a Procuradoria ainda não deu nenhuma explicação a respeito.Na semana passada, o presidente mexicano, Vicente Fox, anunciou a criação de uma Promotoria Especial sobre os Desaparecidos, que se encarregará de uma vez por todas desse incômodo assunto. A Comissão Nacional de Direitos Humanos já divulgou um relatório final sobre o tema, admitindo o envolvimento das forças de segurança do Estado - entre elas, a organização paramilitar "Brigada Blanca" e o próprio Exército - em crimes de tortura e desaparecimento forçado de pessoas.

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