México julga militares acusados por desaparecimento de dissidentes

Pela primeira vez na história do México, dois generais serão julgados pelo homicídio de 134 pessoas durante a repressão governamental nas décadas de 60 e 70. A ação judicial não deixou satisfeitos os envolvidos em alguns dos 532 casos documentados de desaparecimento de dissidentes políticos. "O Exército lava a roupa suja em casa", disse Rosario Ibarra, que lidera o grupo "Eureka" de mães e familiares de desaparecidos."Para mim, não é nenhum avanço. Embora eles sejam os responsáveis pela repressão, e reconhecidos como torturadores, não adianta julgá-los em um tribunal militar", afirmou Ibarra, cujo filho, Jesús Piedra, figura na lista de desaparecidos.A ativista de direitos humanos no México indicou que o processo contra os militares deveria ser aberto pela Procuradoria Geral da República, e não a Justiça militar e nem mesmo a chamada "Procuradoria dos Desaparecidos", na qual disse não confiar. "Não vai acontecer nada, porque embora se diga que eles serão castigados, na realidade na melhor das hipóteses eles vão ser protegidos".Embora esses generais não estejam sendo acusados de "genocídio", uma figura jurídica inexistente nas leis penais mexicanas, os dois chefes militares são responsabilizados por terem colaborado na execução de opositores políticos e guerrilheiros entre 1971 e 1978 no estado de Guerrero, no sul do país.O estado de Guerrero foi o bastião do movimento rebelde que estremeceu o México nos anos 60 e 70, no qual tiveram papel central os legendários guerrilheiros Lucio Cabañas e Genaro Vásquez Rojas, ambos assassinados pela repressão.

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