México libera relatório sobre "guerra suja" em abril

O relatório final do governo mexicano sobre a "guerra suja" não difere em sua essência de um rascunho do documento liberado recentemente alegando que a presidência do país ordenou a tortura e o assassinato de centenas de suspeitos de subversão entre os anos de 1960 e 1980, afirmou o chefe das investigações, Ignacio Carrillo, nesta quarta-feira. Carrillo foi nomeado pela administração do presidente Vicente Fox para investigar as atrocidades cometidas por governos passados. "O documento final não contradiz totalmente do documento atual", afirmou Fox, que estava acompanhado pelo general Daniel Cabeza de Vaca. O rascunho vazou para a imprensa e foi publicado no domingo pela revista mexicana Emeequis e pelo site do Arquivo de Segurança Nacional, um grupo de pesquisa particular dos Estados Unidos, com base em Washington. Baseado, em parte, em documentos desclassificados pelo exército mexicano, o relatório publicado pela imprensa foi preparado por uma equipe de 27 pesquisadores a serviço do escritório de Carrillo, mas, segundo ele, foi apenas um dos vários rascunhos e ainda deve ser editado. Segundo o rascunho, centenas de suspeitos de subversão no Estado de Guerrero foram seqüestrados, torturados e mortos durante as administrações dos presidentes Gustavo Diaz Ordaz, Luis Echeverria, Jose Lopez Portillo e Adolfo Lopez Mateos. O documento parcial afirma ainda que existem evidências de que o exército, sob a administração de Echeverria, executou buscas ilegais, detenções arbitrárias, estupro de mulheres e possíveis execuções sumárias de várias pessoas. O gabinete de Carrillo ainda fará alguns esclarecimentos no rascunho final, incluindo a exclusão de referências à bases militares mexicanas como "campo de concentração", pois, para Carrillo, o termo não se aplica a detenções ilegais de pessoas nessas bases, apesar do posterior desaparecimento de algumas delas. O chefe da investigação não conseguiu associar Echeverria às acusações de genocídio pelos assassinatos em massas cometidos durante dois protestos contra o governo em 1968 e 1971. O ex-presidente negou o dano nos dois casos. Nomes de soldados e telegramas do Departamento de Defesa também constam do rascunho, descrevendo exatamente quem seriam os alvos da guerra do México contra os líderes de guerrilha, Lucio Cabanas e Genaro Vazquez. Carrillo afirma que nem todos os nomeados no relatório cometeram um crime, mas que pretende prestar queixas nas próximas semanas contra alguns civis e militares envolvidos na "guerra suja".

Agencia Estado,

01 Março 2006 | 17h38

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