México localiza 4 valas comuns ligadas a caso de chacina

Autoridades de Guerrero tentam encontrar 43jovens desaparecidos após troca de tiros entre gangue e policiais

IGUALA, MÉXICO, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2014 | 02h01

A Procuradoria-Geral do México revelou ontem que informações de quatro novos presos, suspeitos de participarem do ataque a tiros contra estudantes no dia 26 em Iguala, no Estado de Guerrero, levaram à localização de mais quatro valas clandestinas com vários corpos, que poderiam ser de alguns dos 43 alunos que desapareceram. Na quarta-feira, milhares de pessoas marcharam em diversos pontos do país exigindo a solução do caso.

No sábado, também com base em informações de presos, autoridades localizaram 28 corpos carbonizados em uma cova em Iguala. Até ontem, os corpos não haviam sido identificados. Ao todo, 34 pessoas - na maioria policiais - já foram presas pela ação. Segundo o procurador de Justiça de Guerrero, Iñaky Blanco, quatro integrantes do cartel de drogas Guerreros Unidos estão presos e outros policiais de Iguala são procurados.

Blanco acusou o prefeito de Iguala, José Luis Abarca, de omissão em relação ao ataque e pediu que o seu foro privilegiado seja retirado para que ele seja processado. "Ele preferiu continuar numa festa, posteriormente retirar-se para jantar e, depois, para dormir (no dia do ataque)", disse o procurador. Abarca não é visto desde então. No fim de semana, as autoridades o declararam foragido. Segundo Blanco, em razão de ele chefiar a polícia municipal, tinha "obrigação" de evitar o ataque.

Os 43 estudantes da Escola Normal Rural de Ayotzinapa desapareceram em Iguala - 200 quilômetros a sudoeste da Cidade de México - depois que policiais municipais atacaram os ônibus que os transportavam. Os alunos tinham ido à cidade pedir doações. Quando eles se reuniam para regressar à escola, a mulher do prefeito, María de los Ángeles Pineda, terminava um discurso. De repente, disparos foram ouvidos e as pessoas fugiram assustadas.

Alguns investigadores suspeitam que os incidentes estejam relacionados. Autoridades ainda não sabem o que ocorreu. Durante o discurso, homens com trajes civis faziam a segurança da mulher do prefeito que tem parentes com vínculos com o crime organizado. Funcionários federais e estaduais acusam a polícia de Iguala de estar infiltrada por membros do cartel Guerreros Unidos.

Prisão. A polícia capturou ontem o traficante Vicente Carrillo Fuentes na cidade de Torreón, no Estado de Coahuila, fronteira com os EUA. Ele chefiava o cartel de Juárez, fundado por seu irmão mais velho, Amado Carrillo Fuentes, o "Senhor dos Céus", que morreu em 1997 após cirurgia plástica. / AP e AFP

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