Divulgação/Presidência do México
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Presidente mexicano rejeita muro fronteiriço e avalia se encontrará Trump

Em mensagem publicada no Twitter, Enrique Peña Nieto afirmou que 'lamenta e reprova' a decisão de Donald Trump e reiterou que país não pagará pela obra; chanceler mexicano disse que visita prevista para terça-feira está sendo 'reavaliada' pelo presidente

O Estado de S. Paulo

26 Janeiro 2017 | 01h52
Atualizado 26 Janeiro 2017 | 08h55

CIDADE DO MÉXICO - O presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, lamentou e reprovou na noite de quarta-feira, 25, o decreto assinado por Donald Trump para construir o polêmico muro fronteiriço e agora avalia se viajará a Washington na próxima semana para se reunir com o presidente americano.

Depois que Trump assinou uma ordem executiva para reforçar o controle migratório em um primeiro passo rumo à construção do muro, políticos da oposição consideraram este ato uma "ofensa" e "hostilidade", e pediram a Peña Nieto uma resposta rápida, além do cancelamento de seu encontro com Trump previsto para a terça-feira.

"Lamento e reprovo a decisão dos Estados Unidos de prosseguir com a construção de um muro que há anos, distante de nos unir, nos divide. E afirmo mais uma vez: o México não pagará por qualquer muro", declarou Peña Nieto em uma mensagem publicada durante a noite em sua conta no Twitter.

A assinatura do decreto ocorreu num momento em que o chanceler mexicano, Luis Videgaray, e o ministro da Economia, Ildefonso Guajardo, se encontravam em Washington para dialogar sobre o novo rumo da relação com os Estados Unidos e para preparar a visita de Peña Nieto e a reunião com Trump.

Encontro. Em sua mensagem, Peña Nieto não se referiu diretamente a este encontro e limitou-se a afirmar que terá "que tomar decisões sobre os próximos passos a seguir" depois de consultar os funcionários que viajaram a Washington.

Videgaray disse à rede Televisa que, efetivamente, Peña Nieto avalia se viajará a Washington para participar desta "reunião que, por enquanto, segue confirmada". O chanceler, que em agosto passado administrou uma polêmica visita de Trump ao México, detalhou que esteve reunido com membros da administração americana durante oito horas em um dia de "contrastes" com a assinatura do decreto, mas também com "grande disposição para trabalhar com o México".

Ele afirmou que a delegação mexicana expressou um "grave estranhamento" pela assinatura do decreto justo quando começam as primeiras negociações entre os dois países. "Disseram-nos reiteradamente que aqui não houve nenhum desenho ou intenção de fazer o anúncio coincidir com nossas reuniões de trabalho, que é algo que estava decidido há tempos", ressaltou Videgaray.

O chanceler se mostrou otimista pelo discurso de Trump, já que, pela primeira vez um presidente americano reconheceu que tem responsabilidade em "deter o fluxo ilegal de armas dos Estados Unidos ao México". A detenção pelos Estados Unidos do fluxo de armas ilegais que alimentam principalmente os cartéis das drogas foi uma das principais exigências do México, atingido por uma onda de violência relacionada ao narcotráfico.

Defesa dos migrantes. O decreto assinado por Trump também determina destinar recursos e tomar medidas como "construir, operar ou controlar instalações para deter estrangeiros em ou perto da fronteira com o México". Trump prometeu durante sua campanha expulsar milhões de mexicanos ilegais, e o governo mexicano multiplicou suas campanhas nos Estados Unidos para orientar os migrantes sobre seus direitos.

Peña Nieto afirmou em sua mensagem que já passou instruções à chancelaria para que os 50 consulados mexicanos nos Estados Unidos reforcem suas medidas de proteção para que se tornem "autênticas defensorias dos direitos dos migrantes" mexicanos.

"Nossas comunidades não estão sozinhas. O governo do México fornecerá assessoria legal, que lhes garanta a proteção necessária", disse Peña Nieto. Enquanto isso, no cruzamento fronteiriço que conecta Tijuana (noroeste) com San Diego (Califórnia), vários moradores expressaram seus temores ante as medidas anunciadas por Trump.

Muitos agentes migratórios americanos "são muito déspotas, muito prepotentes e com isto que Trump está fazendo, está dando a eles carta branca para que o façam com mais vontade", disse irritado Julián Tamayo, um mexicano de 49 anos que trabalha em um armazém do lado americano. / AFP, EFE e AP

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