México: parecer de juízes dá vitória a Calderón

O presidente do Tribunal Eleitoral Federal (TEF) mexicano, Leonel Castillo, recomendou nesta terça-feira, dia 5, que os demais magistrados do organismo mantenham a vitória por estreita margem do candidato governista Felipe Calderón nas contestadas eleições presidenciais de 2 de julho no México.A recomendação ainda precisa ser aprovada pelos demais juízes do tribunal. Castillo sugeriu aos sete magistrados que certifiquem o resultado original, segundo o qual o conservador Calderón venceu o candidato esquerdista Andrés Manuel López Obrador pela estreita margem de 233.831 votos em um universo de mais de 41 milhões de eleitores.A esperada decisão do TEF, porém, provavelmente não encerrará os explosivos protestos contra os resultados oficiais das eleições nem resolverá as crescentes divisões políticas no México. A decisão do TEF é inapelável.Depois do pleito, López Obrador denunciou um esquema de fraude para favorecer o candidato do governo. O TEF acatou um pedido de recontagem, mas autorizou a reavaliação de um total de apenas 9% dos votos. A recontagem parcial derrubou de 240.000 para apenas 4.000 votos a vantagem de Calderón sobre Obrador.Obrador promete ignorar a decisão do tribunal. Seus simpatizantes estão acampados na Cidade do México e prometem impedir que Calderón seja declarado presidente eleito.ContagemSegundo a contagem preliminar que deu vitória a Felipe Calderón, o candidato do Partido de Ação Nacional (PAN), obteve 14.916.927 votos frente a López Obrador, que ficou com 14.683.096 votos, uma diferença de apenas 0,56 ponto percentual em favor do primeiro. No total, incluindo os votos nulos, foram emitidos 41.557.430 votos no pleito, o mais apertado da história política do México, que culminou com uma vantagem de 0,56 ponto a favor de Calderón. O Partido Revolucionário Institucional (PRI) e o Verde Ecologista (PVEM) ficaram em terceiro lugar com 9.237.000 votos; o Alternativa Social-Democrata (Pasc) ficou com 1.124.280 votos; e Nova Aliança, com 397.550. O TEF deve determinar ainda nesta terça-feira se irá validar as eleições. Se o pleito for aceito, o Tribunal Eleitoral designará o novo presidente eleito. Os sete magistrados tiveram que dormir a noite de segunda para terça-feira na sede do tribunal, para que sua presença na sessão desta terça-feira fosse garantida devido aos protestos dos seguidores do esquerdista López Obrador, que afirma ter sido vítima de uma fraude eleitoral em favor do conservador Calderón. Cerca de 150 manifestantes, que se reuniram ao longo da noite, mantinham bloqueada uma das três portas do tribunal quando a reunião começou, mas isso não impediu que o pessoal e a imprensa entrassem no edifício. Segundo a primeira apuração oficial, realizada pelo Instituto Federal Eleitoral na mesma semana das eleições, Calderón tinha obtido uma vantagem de cerca de 243 mil votos - 0,58 ponto percentual - sobre López Obrador. As decisões do TEF, máximo tribunal eleitoral mexicano, são inapeláveis. Um representante do Partido da Revolução Democrática (PRD), ao qual López Obrador pertence, disse antes do início da reunião do tribunal que a formação à qual pertence esperava "pouco" da sessão final sobre a eleição "Vão ratificar a imposição de Calderón. Isso está muito claro", comentou nesta terça-feira Horacio Duarte em declarações à emissora W-Rádio.

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