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México prende policiais por laços com cartel Zetas

Justiça mexicana diz que agentes teriam acobertado massacres cometidos pelos narcotraficantes que deixaram 145 mortos

, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2011 | 00h00

CIDADE DO MÉXICO

A Justiça mexicana ordenou ontem a prisão temporária de 16 policiais sob a acusação de cumplicidade com o cartel Los Zetas, acobertando a morte de ao menos 145 pessoas. Os corpos foram encontrados em valas comuns no Estado de Tamaulipas, na região da fronteira com os EUA, na semana passada. Os agentes permanecerão detidos por 40 dias enquanto serão investigados por crime organizado, sequestro e homicídio.

Desde o fim de semana, pelo menos 45 pessoas envolvidas com o cartel foram detidas, entre elas Omar Martín Estrada Luna, conhecido como "El Kilo", suposto chefe do cartel na cidade de San Fernando, onde foram encontradas as vítimas. Acredita-se que os mortos eram passageiros de pelo menos seis ônibus que foram sequestrados nos últimos meses ao passar pela cidade rumo aos EUA.

Segundo fontes da Promotoria, as investigações indicam que os Zetas pagariam pelo menos US$ 450 mensais a policiais militares de San Fernando.

Ainda não está claro se os agentes teriam participado diretamente dos homicídios ou apenas acobertado as mortes. Até agora, o único estrangeiro identificado no massacre é um cidadão guatemalteco.

Os corpos foram encontrados na mesma região em que houve o massacre de 72 imigrantes ilegais, entre eles 4 brasileiros, em agosto. El Kilo também é acusado de ter ordenado a chacina.

A procuradoria mexicana oferece ainda recompensa de US$ 2,5 milhões por informações que facilitem a prisão de outros quatro suspeitos.

O cartel Los Zetas é formado por ex-militares que desertaram nos anos 90 e hoje lutam pelo controle da região noroeste do país, em particular o Estado de Tamaulipas.

Com a queda dos recursos vindos do narcotráfico, o grupo recorreu ao sequestro de imigrantes, a maioria ilegal, que tentam chegar aos EUA pela fronteira mexicana.

Outras prisões. Autoridades do Estado de Hidalgo, na região central do país, anunciaram ontem a prisão de 27 integrantes dos Zetas envolvidos na explosão de um carro-bomba em janeiro.

Um policial morreu e outros três ficaram feridos. Entre os detidos estão sete mulheres. / ASSOCIATED PRESS e FRANCE PRESSE

PARA LEMBRAR

Quadrilha massacrou 72 imigrantes

Em agosto do ano passado, autoridades mexicanas encontraram 72 corpos amarrados e amordaçados de imigrantes em uma vala comum numa fazenda em San Fernando, na região da fronteira com os EUA. Entre as vítimas, havia quatro brasileiros, além de equatorianos, salvadorenhos, guatemaltecos e hondurenhos. O grupo, que tentava entrar ilegalmente em território americano, foi morto por traficantes do cartel Los Zetas, formado por ex-militares. Quatro pessoas sobreviveram, e uma delas denunciou a chacina. Foi o maior massacre relacionado à guerra ao narcotráfico no México desde 2006.

Entre as vítimas estavam 52 homens e 14 mulheres. A denúncia foi feita por uma das testemunhas que sobreviveram ao massacre, um equatoriano, que foi baleado na garganta.

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