México prende por corrupção poderosa líder de sindicato

O governo do México prendeu ontem a poderosa líder do sindicato dos professores, Elba Esther Gordillo, de 69 anos, sob acusação de desvio de milhões de dólares, no âmbito de uma campanha de reformas promovida pelo presidente Enrique Peña Nieto.

CIDADE DO MÉXICO, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2013 | 02h10

O procurador-geral da República, Jesús Murillo Karam, disse durante uma entrevista coletiva que foram descobertos desvios milionários de recursos do sindicato em favor da líder sindical, que foi presa no aeroporto mexicano de Toluca quando chegava de San Diego, Califórnia. Elba Gordillo foi enviada à prisão de Santa Martha Acatitla, a leste da Cidade do México.

Segundo o procurador, foram desviados mais de 2 milhões de pesos mexicanos, o equivalente a US$ 156 milhões. Entre as movimentações irregulares de dinheiro, a procuradoria descobriu o pagamento de uma conta de US$ 3 milhões na loja de artigos de luxo Neiman Marcus.

O presidente Peña Nieto, que assumiu o governo em dezembro, sancionou na segunda-feira uma histórica reforma que deverá dar novo impulso ao obsoleto sistema de ensino do México, reforma à qual o sindicato se opunha.

Sob a liderança de Elba Gordillo, ex-integrante do Partido Revolucionário Institucional (PRI), o sindicato controlava à vontade a distribuição de cadeiras e cargos, incluindo a venda de nomeações de professores num sistema em que imperava a corrupção. Elba assumiu as rédeas do Sindicato Nacional de Trabalhadores da Educação (SNTE) em 1989, com a anuência do então presidente Carlos Salinas de Gortari.

A líder sindical - uma mulher que nasceu na pobreza no Estado de Chiapas - é famosa pelas múltiplas cirurgias plásticas, sua inclinação por vestidos e acessórios de estilistas e por levar uma vida de luxo, com aviões particulares e propriedades no exterior.

Segundo estimativas extraoficiais, Elba administrava, sem prestar contas a ninguém, cerca de US$ 60 milhões ao ano somente em contribuições sindicais, que o Estado desconta dos salários dos professores e repassa para o sindicato, o maior da América Latina.

Elba foi expulsa em meados de 2006 do PRI, do qual foi secretária-geral entre 2002 e 2005, por discutir com outros membros do partido. Segundo revelações de políticos e da imprensa, foi ela quem fez pender a balança em favor do ex-presidente Felipe Calderón quando este precisava de alguns poucos votos para vencer o candidato de esquerda Andrés Manuel López Obrador nas eleições de 2006. Ela e o sindicato dos professores criaram em 2005 o Partido Nova Aliança como seu braço político que detém dez cadeiras na Câmara dos Deputados e uma no Senado. / REUTERS

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