México quer taxar 'junk food' para combater obesidade

Senado discute lei que pretende cobrar imposto de alimentos de alta caloria

O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2013 | 02h13

Com grandes anúncios em jornais - publicados quase diariamente - e aplicadas equipes de lobistas, gigantes da indústria alimentícia do México e organizações que pregam e promovem a boa saúde disputam o apoio dos parlamentares do país, que debatem a aplicação de novos impostos sobre a chamada "junk food", já aprovada pela Câmara dos Deputados. A intenção do governo central, que tenta aumentar sua arrecadação com uma reforma fiscal que deverá atingir diversos setores, é combater a obesidade entre a população, enquanto eleva sua receita, cobrando mais impostos dos que ganham mais.

O Senado mexicano debate atualmente a nova legislação, que cobrará 5% de imposto sobre os alimentos com 275 quilocalorias ou mais a cada 100 gramas. Estão na mira da lei cereais matutinos, balas, sorvetes, gelatinas e certos tipos de pudins, entre outros doces, além de qualquer tipo de comida que exceda o limite calórico determinado pela lei. As bebidas de alta caloria, como refrigerantes e sucos açucarados, terão 1 peso (US$ 0,08) por litro acrescentado aos seus preços.

Estatísticas indicam que 71% dos mexicanos adultos e uma em cada três crianças do país estejam acima do peso ou obesas.

Com a votação no Senado prevista para ocorrer nos próximos dias, as entidades de defesa da boa saúde e a indústria alimentícia - juntamente com varejistas que lucram com seus produtos - tentam convencer os legisladores com seus argumentos. De um lado, empresas estrangeiras - como Coca-Cola, Nestlé e Kraft Foods - tentam evitar a elevação nos impostos sobre seus produtos. De outro, a Bloomberg Filantropies - fundada pelo prefeito magnata de Nova York, Michael Bloomberg - doou US$ 10 milhões a entidades que pregam hábitos alimentares saudáveis.

Indústrias e comerciantes afirmam que os novos impostos serão inúteis para combater obesidade, que segundo seus lobistas é causada por diversos fatores. O ativistas pela boa saúde acreditam que a medida é crucial no México, país que mais consome refrigerantes no mundo. / AFP e REUTERS

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