México rechaça muro na fronteira com EUA

O governo mexicano expressou seu "firme rechaço" à lei que prevê a construção de um muro de cerca de 1,1 km na fronteira entre os Estados Unidos e o México, sancionada na quinta-feira pelo presidente americano, George W. Bush. Em comunicado emitido pela Chancelaria, o governo mexicano afirmou que a medida "fere a relação bilateral em seu conjunto, é contrária ao espírito de cooperação que deve prevalecer para garantir a segurança na fronteira, e propicia um clima de tensão entre as comunidades fronteiriças".A forte reação mexicana tomou a dianteira entre outras condenações ao projeto,acusado de ser uma medida eleitoreira para atrair votos no pleito de 7 de novembro que vai eleger governadores e renovar o Congresso.Ao autorizar a construção do muro, o presidente Bush acrescentou que outras medidas serão tomadas para reduzir o fluxo de imigrantes ilegais entre o México e os Estados Unidos.Câmeras operadas à distância, aviões não-tripulados e monitoramento via satélite darão a cara da fronteira entre os dos países "no século 21", ele afirmou, indicando que seu governo aumentará também os recursos humanos e materiais das autoridades de imigração."Somos uma nação de imigrantes. Mas também uma nação da lei", discursou Bush. "Grave erro" Em visita ao Canadá, o presidente mexicano, Felipe Calderón, considerou a construção do muro um "grave erro" por parte dos americanos."O muro não vai resolver nenhum problema. A humanidade cometeu um tremendo erro ao construir o muro de Berlim, e creio que hoje em dia os Estados Unidos estão cometendo um grave erro ao construir esta barreira na nossa fronteira comum", ele afirmou.O recém-eleito líder mexicano - que viajará aos Estados Unidos no próximo dia 9 de novembro, como parte de um giro pelos países da América do Norte - disse que o projeto de US$ 6 bilhões (cerca de US$ 12,5 bilhões) terá um alto custo para os contribuintes americanos, que pagarão pela construção da barreira.O primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, afirmou entender as preocupações americanas com a segurança de sua fronteira, mas pediu "cautela contra medidas que possam resultar em barreiras desnecessárias, não apenas ao comércio, mas ao intercâmbio normal e regular do turismo e outras relações sociais entre nossos países". Direitos Humanos Expressando seu "fiel compromisso" com a proteção dos direitos humanos de seus cidadãos que vivem nos Estados Unidos, o governo mexicano disse que o muro "poderia aumentar os riscos à segurança física dos migrantes que transitam na região (da fronteira)".Para os mexicanos, a questão "requer o estabelecimento de novos mecanismos que permitam uma migração legal, segura, ordenada, digna e respeitosa dos direitos humanos".No ano passado, cerca de 400 mexicanos morreram tentando cruzar a fronteira para o norte. Estima-se que cerca de 1,2 milhão de imigrantes ilegais tenham sido presos em 2005 tentando alcançar os Estados do Texas, Novo México, Arizona e Califórnia.Cerca de 10 milhões de mexicanos vivem nos Estados Unidos, metade deles ilegalmente, segundo as projeções.

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