México resgata 458 crianças que sofriam abusos em abrigo

Mais de 50 reclamações foram feitas sobre as condições precárias, como infestação de vermes, e os abusos cometidos no local

O Estado de S. Paulo

16 Julho 2014 | 09h57

CIDADE DO MÉXICO - O Exército e a Polícia Federal do México resgataram na terça-feira 458 crianças em uma casa de acolhimento no Estado de Michoacán, no sudoeste do país, onde viviam em condições deploráveis - o local estava infestado de vermes. As autoridades suspeitam que as crianças sofriam abusos sexuais.

O gabinete da Procuradoria-geral disse que a polícia e tropas militares invadiram uma casa conhecida como "A Grande Família" na cidade de Zamora depois de receberem mais de 50 reclamações sobre as atividades no local.

O abrigo, administrado por Rosa del Carmen Verduzco, estava infestado por ratos, pulgas e percevejos e abrigava crianças e 138 adultos de até 40 anos, informou o governo. "Descobrimos que havia cerca de 500 crianças em situação realmente terrível", disse o procurador Jesús Murillo. Foram resgatados 278 meninos e 174 meninas com idades de 3 a 17 anos e seis bebês entre 2 meses e 3 anos de idade.

Segundo o procurador, as autoridades resolveram agir após cinco reclamações feitas por pais de que o abrigo havia se negado a lhes devolver suas crianças.

As crianças do abrigo pediam esmolas na rua, alimentavam-se com comida estragada e dormiam no chão entre os vermes, disseram as autoridades. Algumas sofreram abuso sexual, acrescentaram.

Bebês nascidos no local foram registrados como filhos de Rosa e os pais deles não puderam opinar na sua criação, disse Tomás Zerón, diretor da unidade de investigação criminal da Procuradoria-geral. "Um pai desesperado chegou a oferecer 10 mil pesos (US$ 770) a Rosa para ter de volta suas filhas", acrescentou.

"Durante a investigação foram ouvidas testemunhas e vítimas que tiveram relação com (o abrigo) A Grande Família e relatam diversos abusos físicos e psicológicos por parte de Rosa del Carmen Verduzco e de alguns funcionários", disse Zerón.

A Grande Família foi fundada em 1947 e cuidava de crianças abandonadas por pais problemáticos, diz um texto publicado na página do abrigo no Facebook. O local também proveria educação às crianças.

O financiamento vinha de doações, de empresas e governos, alegava a entidade. Ninguém do abrigo foi encontrado para comentar.

Autoridades estão tratando as crianças por traumas de abuso sexual e psicológico e buscam casas adequadas para abrigá-las, disse o governo. Zerón informou que Rosa e oito colaboradores foram detidos e serão interrogados pelo Ministério Público como suspeitos de maus-tratos e agressões sexuais. /EFE e REUTERS

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