México retalia EUA por causa de lei 'protecionista'

Governo vai aumentar tarifas de 90 produtos americanos depois de fim de programa de circulação de caminhões.

BBC Brasil, BBC

17 de março de 2009 | 05h18

O governo mexicano anunciou que vai aumentar as tarifas para a entrada de 90 produtos americanos no país, em retaliação ao cancelamento de um programa piloto que permitia a caminhoneiros mexicanos transportar bens entre as fronteiras dos dois países.

O ministro da Economia mexicano, Gerardo Ruiz Mateos, afirmou que a medida afetaria produtos agrícolas e industriais em cerca de 40 Estados americanos, no valor de US$ 2,4 bilhões.

Segundo o ministro, a suspensão do programa piloto vai contra o Acordo de Livre comércio da América do Norte (Nafta), assinado em 1994, que deveria ter aberto o transporte entre as fronteiras no ano 2000.

Pouco depois do anúncio, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu que seu governo crie um novo programa para permitir a circulação de caminhões mexicanos no país, conforme previsto no Nafta.

O programa piloto foi cancelado na semana passada, depois que o Congresso americano votou a lei do orçamento, que elimina os fundos que financiavam o esquema.

Segundo o ministro mexicano, o cancelamento do programa não só é uma medida equivocada mas também mostra uma tendência ao protecionismo por parte dos Estados Unidos, o que prejudicaria toda a região.

"Através da aplicação dessas medidas de represália tratamos, em primeira instância, de preservar a integridade" do Nafta, acrescentou Ruiz Mateos.

Em uma entrevista coletiva, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que "o governo entende as preocupações" do México.

Gibbs afirmou que Obama já pediu ao Departamento de Transporte que colabore com o representante de Comércio Exterior e como Departamento de Estado, junto a líderes do Congresso e deputados mexicanos, para que proponham uma lei para um novo programa para os caminhoneiros.

A proposta deverá levar em conta "as preocupações legítimas do Congresso e nossos compromissos dentro do Nafta", ressaltou Gibbs.

Esta não é a primeira vez que a questão da livre circulação é disputada entre os dois países.

No passado, alguns setores americanos tentaram cancelar o programa, e em 2001, o México entrou com uma queixa diante de um painel internacional, exigindo que os Estados Unidos cumprissem o acordo.

"No entanto, os deputados democratas que votaram pelo cancelamento do programa por causa da preocupação com os padrões de segurança dos caminhões mexicanos disseram que não estão preparados para comprometer a segurança em nome de um acordo de livre comércio", disse o editor da BBC para a América Latina, Emilio San Pedro.

Mais de 80% do comércio entre México e Estados Unidos é feito por via terrestre.

Segundo dados oficiais, até julho do ano passado, 10 empresas americanas, com 55 caminhões, e 27 companhias mexicanas, com uma frota de 107 veículos, participaram do programa piloto.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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