México se une para responder às ofensas de candidato republicano

Empresários boicotam eventos de Donald Trump, que vira alvo de paródias e é criticado por declaração racista

CIDADE DO MÉXICO, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2015 | 02h03

O discurso do pré-candidato republicano à presidência americana Donald Trump - no qual ele disse que imigrantes mexicanos eram criminosos e a presença deles estava prejudicando a grandeza americana - uniu mexicanos de diversas classes sociais na condenação ao milionário. De ambulantes a empresários das maiores companhias mexicanas, a condenação a ele é quase unânime.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, alguns empresários mexicanos estão cortando os laços comerciais com o magnata. A gigante da TV aberta mexicana, Televisa, anunciou que não vai mais transmitir o Concurso Miss Universo, organizado por uma das empresas de Trump. A rede de TV Ora, do magnata mexicano das telecomunicações Carlos Slim, também prometeu não exibir o concurso.

Nas ruas da Cidade do México, a população também condena o discurso do pré-candidato. "Se Donald Trump aparecesse na minha frente, eu o chamaria de racista imbecil", disse Arturo Palomino, vendedor de DVDs piratas. "Ele pensa que pode dizer o que quer porque tem dinheiro."

"Os mexicanos estão trazendo drogas e o crime para os Estados Unidos", declarou Trump, que além de magnata do setor imobiliário é apresentador de reality show, no discurso de lançamento de sua pré-candidatura "Eles são estupradores, embora alguns, eu admito, sejam boas pessoas."

Para a balconista Rita Hernández, as palavras de Trump foram bastante ofensivas. "Ele não tem respeito pelos seres humanos", disse. "Temos muitos problemas dolorosos no nosso país, mas quem vai para os Estados Unidos é gente trabalhadora que tenta sustentar sua família."

Em meio à polêmica, Trump virou alvo de chacotas no país. As pinhatas - peça de barro ou de papel machê tipicamente mexicana que costuma estar cheia de doces em datas comemorativas para serem quebradas com um taco - estão sendo vendidas com o rosto do republicano. De acordo com comerciantes locais, os bonecos com cabelos loiros e uma grande boca estão cada vez mais populares.

Além dos bonecos, a ironia e o sarcasmo também se tornaram uma ferramenta dos mexicanos contra o magnata. Ao receber um prêmio na semana passada em Los Angeles, o comediante mexicano Eugenio Derbez disse que as palavras do republicano sobre o país estão equivocadas. "Além de sermos honestos e trabalhadores, também somos garçons e cozinheiros na maioria dos restaurantes dos Estados Unidos", disse. "Então tome cuidado na próxima vez em que fizer uma refeição. É possível que você tenha de engolir suas palavras e algo a mais."

Outros países latino-americanos também se pronunciaram sobre o caso. A Costa Rica anunciou que não enviará uma representante do país para o concurso de Trump e o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, falou em um discurso na televisão que "aquele que mexe com o México mexe com a Venezuela". Além dos latino-americanos, alguns canais de televisão dos EUA, como a NBC e a Univisión, também anunciaram que não vão transmitir o concurso de beleza.

Sob pressão de parceiros comerciais, que romperam contratos televisivos com o magnata após os comentários ofensivos, Trump disse no fim de semana ao canal Fox News que "a criminalidade está subindo muito" e "só por falar disso" ele é considerado racista.

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