México tem mais protestos após sequestro

Manifestantes foram às ruas de Acapulco exigir que governo solucione sumiço de 43 estudantes após ataque da polícia

O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2014 | 02h00

ACAPULCO - Dezenas de milhares de manifestantes foram ontem às ruas de Acapulco, um destino turístico internacional no Pacífico, para exigir uma explicação para o caso dos 43 estudantes que desapareceram há quase um mês após um ataque da polícia, no Estado mexicano de Guerrero.

Uma caravana de mais de 20 ônibus fretados pela escola onde estudavam os jovens desaparecidos levou parentes, ativistas e sindicalistas da educação que se juntaram aos manifestantes que os aguardavam em Acapulco. As manifestações vêm ocorrendo em várias cidades de Guerrero e de outros Estados mexicanos. Todos cobram uma resposta das autoridades.

No dia 26, na cidade de Iguala, alunos da Universidade Rural para Normalistas de Ayotzinapa protestavam contra a discriminação que diziam sofrer por parte do governo estadual na distribuição de vagas entre alunos da zona rural e da cidade quando foram reprimidos com violência. Desde então, eles estão desaparecidos.

A suspeita é de que eles tenham sido baleados por policiais ou narcotraficantes. Segundo testemunhas, homens armados vestidos de preto e encapuzados participaram das agressões. Eles estavam em caminhonetes de cor escura e seriam membros do crime organizado.

Em silêncio, parentes dos estudantes carregavam fotografias e marchavam pelas ruas de Acapulco. O silêncio foi eventualmente rompido por gritos chamando de "assassino" o governador de Guerrero, Ángel Heladio Aguirre. Ele era visto em cartazes pregados pelas paredes da cidade. O governador pediu calma aos manifestantes.

A marcha de ontem foi a terceira que ele participou esta semana. Na quinta-feira, centenas de professores e estudantes tomaram várias prefeituras de Guerrero. Ontem, eles voltaram a marchar por várias cidades com a intenção de tomar 80 prefeituras, mas até à tarde de ontem, apenas três tinham sido ocupadas.

"Não temos a capacidade para tomar as 80 prefeituras no mesmo dia. Assim, o plano de ação será feito de forma paulatina", explicou à agência France Presse José Ángel Barón, porta-voz da Coordenação Estatal de Trabalhadores da Educação de Guerrero, um sindicato conhecido por sua beligerância.

Em Huamuxtitlán, próximo à Cidade do México, o prefeito Johnny Saucedo disse que cerca de 200 professores tomaram o palácio do governo. Outras 16 prefeituras, incluindo a de Iguala, foram esvaziadas e fechadas de forma preventiva.

O presidente do México, Enrique Peña Nieto, pediu mais tempo para esclarecer o caso, mas a pressão aumenta a cada dia, tanto por parte da comunidade internacional como da população. Quando tomou posse, há dois anos, ele prometeu dar fim à onda de violência que custou mais de 100 mil vidas desde 2007. Peña Nieto conseguiu uma redução no número de homicídios, mas os sequestros aumentaram.

Prisão. Ainda ontem, a polícia mexicana anunciou a prisão de Sidronio Casarrubias Salgado, chefão do cartel Guerreros Unidos, considerado responsável pelo sequestro dos estudantes. Segundo o procurador-geral do México, Jesús Murillo Karam, ele seria interrogado e poderia dar novas pistas para esclarecer o desaparecimento. / AP, REUTERS e AFP

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