México trabalha para identificar ossadas

Em meio aos protestos pelo desaparecimento de 43 estudantes, o governo do México enviou os restos calcinados de corpos encontrados em um lixão de Iguala, no sul do país, para a Universidade de Innsbruck, na Áustria, para tentar identificá-los. A ação, que dificilmente terá resultado prático, como reconheceu ontem o procurador-geral, Jesús Murillo Karam, tenta aplacar a insatisfação de muitos mexicanos.

LOURIVAL SANTANNA, ENVIADO ESPECIAL , CIDADE DO MÉXICO, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2014 | 02h05

Uma quantidade muito pequena de fragmentos de ossos queimados já em decomposição, entre os quais o que está em melhor estado é um joelho, foi retirada de um lixão depois da confissão de suspeitos presos. Parentes e colegas das vítimas, assim como manifestantes, têm pressionado o governo a provar que os desaparecidos estão realmente mortos.

Familiares dos estudantes desaparecidos partiram ontem em três ônibus de Ayotzinapa, onde eles faziam um curso de formação de professores rurais, afirmando que não acreditam na versão oficial de que os jovens foram mortos e queimados. Eles percorreriam o país para chamar a atenção para o caso.

Não que isso seja necessário. O assunto domina o noticiário, por suas repercussões políticas e econômicas. O turismo e o comércio já sentem o impacto das manifestações e estão sob ataque não só o partido que governa a cidade de Iguala e o Estado de Guerrero, o Partido da Revolução Democrática (PRD), mas também o do presidente Enrique Peña Nieto, o Partido Revolucionário Institucional (PRI).

Os estudantes desaparecidos preparavam uma manifestação que coincidiria com um evento organizado pelo então prefeito José Luis Abarca e sua mulher, María de los Ángeles Pineda, no dia 26 de setembro. Eles são acusados de terem pedido a intervenção do então comandante da polícia local, Felipe Flores, para evitar a manifestação.

Depois de entrar em confronto com os estudantes, os policiais os teriam detido e entregado a narcotraficantes do cartel Guerreros Unidos, que os teriam matado e queimado os corpos, segundo confissão de envolvidos presos. O prefeito foi destituído e o casal está preso desde o dia 4. O governador de Guerrero, Ángel Aguirre, está afastadodesde o dia 24. O procurador-geral do Estado, Iñaqui Blanco, também deixou o cargo ontem.

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