REUTERS/Carlos Jasso
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México troca Ministro da Fazenda por divergências com presidente

Carlos Urzúa, considerado até agora um estreito colaborador de Andrés Manuel López Obrador, apontou discordâncias econômicas com o governo e uma 'inaceitável ingerência' em nomeações de funcionários; Arturo Herrera, vice da pasta, o substituirá

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2019 | 12h11

CIDADE DO MÉXICO - Alegando discrepâncias econômicas e uma "ingerência inaceitável" do governo, o ministro da Fazenda do México renunciou na terça-feira, causando incerteza entre investidores e mercados, que vislumbram um relaxamento na disciplina fiscal prometida pelo esquerdista Andrés Manuel López Obrador

Carlos Urzúa, respeitado acadêmico de 64 anos, detalhou em sua carta de demissão, divulgada em sua conta no Twitter, que teve muitas discordâncias econômicas com o governo de López Obrador porque "decisões de política pública foram tomadas sem sustento suficiente". 

O ex-ministro, considerado até agora um estreito colaborador de López Obrador, também afirmou ter achado "inaceitável impor funcionários que não têm conhecimento" do setor. "Isso foi motivado por personagens influentes do atual governo com um conflito de interesses patente", disse ele sem dar nomes. 

López Obrador aceitou a renúncia de Urzúa e em seu lugar nomeou Arturo Herrera, que trabalhava como subsecretário de Finanças. "Ele (Urzúa) não está feliz com as decisões que estamos tomando e estamos comprometidos em mudar a política econômica que foi imposta por 36 anos", disse López Obrador em vídeo. 

"Aceito a renúncia do secretário do Tesouro, a quem agradeço por seu apoio e respeito. (...) decidi nomear Arturo Herrera Gutiérrez (para a pasta)", acrescentou, descrevendo o novo ministro como "um servidor público com dimensão social".

López Obrador lhe encarregou a tarefa de fazer com que "a economia esteja sempre a serviço dos cidadãos", especialmente dos mais humildes. "O nosso país é um país com grandes coisas, mas também com carências e contrastes, e justamente na área das desigualdades é onde temos que trabalhar", respondeu o novo ministro.

Herrera, economista pela Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) e ex-assessor do Banco Mundial, disse aceitar o cargo "com muita esperança" e encará-lo como "uma grande responsabilidade".

Preocupação no mercado

Especialistas interpretaram a carta de Urzúa apontando que alguns membros do governo López Obrador estão buscando uma política fiscal mais flexível, ou seja, maior gasto público. 

"A economia enfraqueceu no primeiro semestre do ano, e a política fiscal permaneceu restrita", disse a firma britânica Capital Economics em relatório a seus clientes. "Com Urzúa agora fora do caminho, isso pode abrir o caminho para um relaxamento na política fiscal", acrescentou. 

Empresários lamentaram a renúncia de Urzúa e disseram estar preocupados com as discrepâncias no governo que o ex-funcionário exibiu ao se demitir.

"Recebemos com preocupação a sua denúncia sobre as discrepâncias gritantes que agora sabemos que existem dentro do governo para a tomada de decisão sobre questões macroeconômicas, e especialmente sua denúncia sobre a adoção das mesmas sem método ou sustentação", disse Gustavo de Hoyos, presidente da influente Confederação dos Empregadores da República Mexicana (Coparmex). 

Apesar disso, alguns especialistas confiam nas habilidades profissionais do novo secretário Herrera. "A rápida nomeação de Arturo Herrera, que tem uma vasta experiência técnica e visão da política econômica do novo governo, envia um sinal de confiança para o público e, em particular, aos mercados", disse Gabriel Casillas, vice-diretor de análise econômica do banco Banorte. 

Outras baixas

A renúncia de Urzúa é a mais relevante dos seis meses de governo de López Obrador, embora não tenha sido a primeira. Em meados de junho, e em plena crise migratória, o titular do Instituto Nacional de Migração (Inami) do México, Tonatiuh Guillén, renunciou ao seu cargo.

Esta renúncia coincidiu com a do titular da Comissão Executiva de Atenção a Vítimas (CEAV) do México, Jaime Rochín, que denunciou em 7 de junho que as mudanças administrativas reduziram a qualidade do atendimento de casos por parte da entidade.

No início de junho também renunciou o titular da Comissão Reguladora de Energia (CRE), Guillermo García Alcocer, enquanto em maio deixaram seus cargos o titular do Instituto Mexicano do Seguro Social (IMSS), Germán Martínez, e a secretária de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Semarnat), Josefa González-Blanco. / AFP e EFE

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