Mianmá acusa estrangeiros de tentar destruir o país

Soldados continuam prisões jornalistas e oposicionistas que participaram das manifestações contra o regime

Agências internacionais,

04 de outubro de 2007 | 09h51

A junta militar que governa Mianmá acusou nesta quinta-feira, 4, governos estrangeiros de tentarem destruir o país. Enquanto isso, continuam vindo à tona relatos de soldados agindo na calada da noite para prender suspeitos de participação nos protestos iniciados em agosto no país asiático.  Veja também:Vídeo da CNN mostra prisões em massa  População apóia protesto dos monges UE aprova sanções contra regime militarEntenda a crise e o protesto dos monges Dissidentes cibernéticos driblam censura   Os soldados mantinham nesta quinta-feira uma presença visível nas ruas de Rangum, a maior cidade de Mianmar. Um clima de estranha calma prevalece na antiga capital birmanesa desde a repressão aos protestos, no fim de setembro. O governo também mantém o controle dos mosteiros para impedir que os religiosos voltem a sair às ruas. Em alguns deles, como o pagode de Magwe, em Pakokku, os próprios monges fazem turnos de vigilância por medo de que os militares entrem de surpresa. Em outros, como em Moegok, na divisa de Mandalay, são os próprios habitantes que se apresentam voluntários para fazer guarda à noite. "Jovens em muitos bairros de Moegok vigiam os mosteiros para impedir que as autoridades prendam os monges. Há uns 50 jovens em cada mosteiro à noite", declarou um morador da cidade à rádio Democratic Voice of Burma. Com o acesso à internet bloqueado, os jornais controlados pelo Estado divulgavam a versão da junta sobre a crise e enchiam as páginas com slogans de propaganda como: "Somos a favor da estabilidade. Somos a favor da paz" e "Somos contra agitação e violência". Em outra frente, o regime militar continua através de seus agrupamentos sociais (como a Associação para o Desenvolvimento e a Solidariedade da União) as demonstrações públicas de apoio em cidades de todo o país. O governo é acusado de pagar entre 1.000 e 3.000 kyat (no máximo R$ 4,00) a cada participante, segundo a região. Críticas vindas da comunidade internacional e da imprensa estrangeira eram qualificadas como a ação de "mentirosos tentando destruir a nação" pelo jornal "A Nova Luz de Mianmar". Apesar de a propaganda governamental ser rotineira em Mianmar, a retomada das acusações a estrangeiros é vista como uma forma de a junta mostrar à população que a situação está sob controle. Um agente humanitário estrangeiro disse, sob condição de anonimato, que cerca de 8.000 pessoas foram detidas nos últimos dias em Rangum durante operações promovidas pelo Exército. Não foi possível checar a informação junto a fontes independentes.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.