Mianmá tem dia de novos protestos

Multidão reuniu 10 mil civis e coincidiu com chegada de enviado da ONU, que tentará negociar com os militares

O Estadao de S.Paulo

29 de setembro de 2007 | 00h00

Manifestantes voltaram ontem às ruas de Rangum, maior cidade de Mianmá, a antiga Birmânia, para protestar contra a ditadura. Segundo a rede de TV britânica BBC e a agência de notícias EFE, as passeatas começaram com 2 mil pessoas, mas chegaram a reunir cerca de 10 mil no fim do dia. Soldados do Exército lançaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.Apesar de o governo não ter divulgado informações sobre vítimas, a rádio birmanesa Mizzima, que opera no exílio, afirmou que uma criança morta e duas pessoas atingidas por tiros deram entrada em um hospital da cidade.Os protestos de ontem foram organizados por civis. O cerco militar aos mosteiros continuou impedindo que os monges budistas, que lideraram as mobilizações desde o dia 17 de setembro, participassem das passeatas. O serviço de internet, que na sexta-feira esteve cortado, foi restabelecido parcialmente. A televisão, controlada pelo Estado, transmitiu o movimentos de tropas em Rangum durante todo o dia.Desde quarta-feira, quando o regime militar de Mianmá começou a reprimir violentamente os protestos e a proibir concentrações públicas, pelo menos 16 pessoas morreram, cerca de 200 ficaram feridas e mais de mil foram detidas, entre elas 800 monges. Grupos de dissidentes exilados e diplomatas estrangeiros, no entanto, afirmam que o número de vítimas é muito maior.Um dos mais preocupados com a crise em Mianmá é Gordon Brown, primeiro-ministro da Grã-Bretanha, que colonizou o país. ''''Temo que a perda de vidas seja bem maior do que o que vem sendo informado'''', disse após conversar por telefone com o presidente americano, George W. Bush, e com o premiê chinês, Wen Jiabao.ENVIADO DA ONUChegou ontem a Rangum, o enviado especial da ONU, o nigeriano Ibrahim Gambari, que tentará nos próximos dias negociar uma solução pacífica para o fim da repressão às manifestações contra o regime militar. Assim que chegou ao país, ele foi direto para a capital Naypyidaw reunir-se com o general Than Shwe, homem forte da junta que governa Mianmá.Gambari, que não entra em Mianmá desde novembro de 2006, por não receber visto, declarou antes de sair de Cingapura que esperava uma ''''visita muito frutífera''''. ''''Espero que haja progresso em todas as frentes'''', afirmou.AJUDA HUMANITÁRIAO Programa Mundial de Alimentos (PMA) das ONU anunciou ontem que a junta militar de Mianmá interrompeu a ajuda humanitária. O sistema de fornecimento de comida para regiões miseráveis no norte do país não funciona desde o início da semana passada, afetando cerca de 500 mil pessoas, a maioria crianças.

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