Mianmar anuncia que punirá todos que venderem ajuda no país

Grupos acusam governo de apreender auxílio internacional; 43 mil são dados como mortos após ciclone

Reuters e Associated Press,

15 de maio de 2008 | 20h39

A junta militar que governa o Mianmar anunciou nesta quinta-feira, 15, que irá punir todos que acumularem ou comercializarem os suprimentos de ajuda internacional enviado aos sobreviventes do ciclone Nargis. Apesar das especulações, grupos de ajuda disseram não ter encontrado nenhuma evidência de que o auxílio esteja sendo vendido ou estocado.   Veja também: Mianmar aprova Constituição militar; ciclone Nargis mata 43 mil Ajuda é roubada em Mianmar, diz ONG    O anúncio veio à tona enquanto o número de mortos pelo furacão aumentou para 43,318, segundo a televisão estatal. O número de desaparecidos permanece em 27,838.   Havia suspeitas de que o exército de Mianmar, que governa o país por 46 anos, estaria desviando a ajuda. O governo negou as acusações. Toneladas de auxílio - incluindo água, cobertores e remédios - foram enviadas à região, mas sua distribuição ocorre lentamente devido a fraca infra estrutura e processos burocráticos do país.   A organização Human Rights Watch afirmou que os países que estão enviando suprimentos à Mianmar devem insistir no monitoramento da distribuição, para assegurar que a ajuda chegará aos necessitados e impedir uma eventual retenção por parte do governo.   O grupo também confirmou um reporte desta semana que dizia que a junta militar apreendeu biscoitos com alto valor protéico - que foram enviados pela comunidade internacional - e em seu lugar distribuiu produtos similares locais, de baixa qualidade.   O governo declarou que toda ajuda material é bem-vinda, mas não permitiu que todos os observadores internacionais entrassem no país para organizar e distribuir as doações - poucos foram autorizados a participar da tarefa.   Deixando a ajuda no aeroporto, "sob o controle abusivo, os militares não irão necessariamente ajudar as vítimas do ciclone", completou a Human Rights Watch.   "O governo está aceitando sistematicamente as doações e distribuindo-as imediatamente para as vítimas", defendeu a emissora de rádio estatal. "Ações legais efetivas serão tomadas contra aqueles que acumularem, comercializarem ou usarem impropriamente o auxílio internacional", acrescentou.   Cidadãos que tentaram trazer ajuda de Yangon, capital do país, para a delta do rio Irrawaddy, a área mais afetada pelo ciclone, disseram que foram barrados pelos militares, que tomaram os suprimentos sob a alegação de que eles seriam os responsáveis pela operação de auxílio.   A ONU e a Cruz Vermelha anunciaram que entre 1,6 milhão e 2,5 milhões de vítimas precisam urgentemente de água, alimentos e abrigos. Até agora, apenas 270 mil foram alcançados pelos grupos de ajuda.   Nova Constituição   Ainda nesta quinta-feira, a junta militar anunciou que a nova constituição do país foi aprovada pela maioria dos eleitores do país durante um referendo realizado no sábado.   A rádio estatal divulgou nesta quinta-feira que a nova Carta, que para os críticos do governo foi escrita para solidificar o regime militar, foi aprovada por 92,4% dos 22 milhões de eleitores.   A votação foi postergada em duas regiões afetadas pelo ciclone, mas segundo a rádio estatal, o resultado não pode ser matematicamente revertido pelos eleitores que não votaram.   O governo afirma que a nova Constituição prevê eleições gerais em 2010, mas os militares terão direito a 25% das cadeiras do Parlamento. O texto também autoriza o presidente a entregar o poder aos militares em caso de estado de emergência.

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