Mianmar cede e aceita ajuda da ONU às vítimas do ciclone

Órgão se queixa da lentidão na concessão dos vistos para agentes e estima que mais de 1 mi estão desabrigados

Agências internacionais,

07 de maio de 2008 | 08h18

A desoladora situação que vive Mianmar, com mais de 22 mil mortos e 41 mil desaparecidos, obrigou a Junta Militar que governa a antiga Birmânia a autorizar o envio de um avião com mais de 25 toneladas de ajuda humanitária às vítimas, segundo comunicou um representante das Nações Unidas (ONU), apesar  lentidão das autoridades birmanesas em conceder vistos aos agentes humanitários. As últimas informações do órgão internacional são de que cerca de 1 milhão de pessoas estão desabrigadas e mais de 5 mil quilômetros quadrados de terras estão cobertas pelas águas do devastador ciclone Nargis, que atingiu a região do delta do Irrawaddy no sábado.   Veja também: Junta ignorou alerta emitido pela ONU  Desafio é levar ajuda às áreas devastadas Ong diz que 50 mil podem ter morrido   Segundo a porta-voz do Escritório das Nações Unidas para Assuntos Humanitários (OCHA), Elizabeth Byrs, o organismo ainda espera a confirmação da partida de uma equipe da ONU para realizar uma primeira avaliação internacional das necessidades mais urgentes. Os militares tinham aceitado previamente a ajuda, porém responsáveis da ONU estavam paralisados em Bangcoc, na Tailândia, aguardando autorização para entrar no país. A lentidão do governo em conceder os vistos para agentes humanitários deve provocar problemas ainda mais graves, atrasando os trabalhos de ajuda.   O porta-voz da ONU, Richard Horsey, afirmou que um avião deve sair da Itália com 25 toneladas de suprimentos. Pouco podem fazer os trabalhadores humanitários que estão na zona de catástrofe. Os únicos representantes das agências da ONU que estão no local neste momento são pequenas equipes do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e da Organização Mundial de Saúde (OMS).   O Programa Mundial de Alimentos começou a distribuir comida na principal cidade do país, Rangun, e nos arredores. Partes da região de Irrawaddy permanecem isoladas, e especialistas dizem que será necessário um esforço logístico imenso para atender aos sobreviventes no local. As agências humanitárias descreveram a devastação como sendo similar à do tsunami de 2004, que atingiu vários países asiáticos e deixou quase 200 mil mortos. Andrew Kirkwood, representante da organização não-governamental Save the Children para Mianmar, disse que sua equipe presenciou cenas chocantes em algumas áreas. "Uma equipe se deparou com milhares de mortos em uma cidade, com pilhas de corpos em decomposição no chão", afirmou.   A ONU disse ainda que os sobreviventes famintos do ciclone saquearam lojas das cidades devastadas no delta do Rio Irrawaddy. Cadáveres flutuam em poças d'água e testemunhas relatam casos de sobreviventes buscando desesperadamente um lugar seco a bordo de botes com lençóis usados como velas. "As equipes falam em corpos flutuando na água. Estamos lidando com um imenso desastre", afirmou o porta-voz da Agência de Coordenação Humanitária da ONU. Horsey acredita que o número de mortes ainda aumentará dramaticamente.   As doenças, a fome e a sede se transformaram nas principais ameaças para os desabrigados. A advertência foi feita pelas agências de ajuda humanitária, que começaram a distribuir o material de emergência às vítimas nas regiões mais castigadas, no sul do país. O país também sofre com o risco de possíveis surtos de cólera e diarréia crônica, em razão das águas contaminadas pelos milhares de corpos que estão expostos ao calor e à umidade tropical.   O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) pediu às autoridades birmanesas que deixem de colocar impedimentos a seu trabalho, e lembrou que nestas situações as crianças são as mais vulneráveis a doenças como a dengue, uma séria ameaça em função da água parada deixada pelo ciclone.   Apesar da magnitude do desastre - o pior ciclone na Ásia desde 1991, quando 143 mil pessoas morreram em Bangladesh -, a França disse que a junta militar, que governa o país desde 1962, ainda estava impondo várias condições para a entrada de ajuda. "A ONU está pedindo ao governo birmanês que abra suas portas, mas a junta responde: 'Dê-nos dinheiro, nós o distribuiremos.' Não podemos aceitar isso", disse o chanceler francês, Bernard Kouchner, ao Parlamento.   (Com BBC Brasil e Agências internacionais)

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