AFP PHOTO / Ye Aung THU
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Mianmar constitui novo parlamento com maioria oposicionista

Com 80% das cadeiras conquistadas em novembro, NLD - da Nobel da Paz Aung San Suu Kyi - assume Legislativo do país pela primeira vez depois de mais de 50 anos de governos militares

O Estado de S. Paulo

01 de fevereiro de 2016 | 15h36

NAYPYIDAW - O parlamento de Mianmar foi constituído nesta segunda-feira, 1, com os novos deputados escolhidos nas últimas eleições, na qual o partido da vencedora do prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi terá maioria suficiente para formar governo.

A opositora Liga Nacional para a Democracia (NLD) de Suu Kyi obteve 80% das cadeiras em disputa no Legislativo na votação de novembro, a primeira após a dissolução em 2011 do último dos regimes militares que governaram o país durante 49 anos.

"Este é o primeiro Parlamento de Mianmar em anos que foi escolhido pelo povo", disse Pyon Cho, que passou 20 anos na prisão como membro do grupo antijunta Estudantes da Geração 88 e hoje é um parlamentar. "Temos a maioria. Temos a tarefa de cumprir nosso manifesto e mudar as vidas das pessoas deste país."

Parlamento e Governo continuarão condicionados pelos militares, a quem a Constituição reserva um quarto do número total de deputados, o que lhes permite bloquear qualquer tentativa de reforma da Carta Magna, e controlar ministérios essenciais como Defesa, Interior e Fronteiras.

Na primeira sessão parlamentar serão eleitos os presidentes da Câmara Alta e da Câmara Baixa, antes que estas proponham dois dos três candidatos a presidente do país, o terceiro dos quais será proposto pelo Exército, e cuja eleição será em março.

Entre estes não estará Suu Kyi devido a uma disposição da Constituição feita à medida que veta para estes cargos candidatos com familiares estrangeiros, como é o caso da líder da NLD, cujos dois filhos têm passaporte britânico.

Apesar disso, Suu Kyi afirmou antes das eleições que estará acima do presidente e liderará o próximo governo, que no começo de abril substituirá o formado por ex-generais da última junta militar, apesar de não ter esclarecido como. / EFE e REUTERS

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