Mianmar estima que 10 mil morreram por ciclone Nargis

Outras 3 mil pessoas estão desaparecidas desde a passagem do fenômeno, que atingiu o país no último sábado

Agências internacionais,

05 de maio de 2008 | 08h55

A passagem do ciclone Nargis pode ter matado10 mil pessoas e deixado outras 3 mil desaparecidas em Mianmar, segundo afirmou o ministro de Relações Exteriores, Nyan Win, nesta segunda-feira, 5. Mais cedo, a TV estatal afirmou que quase 4 mil pessoas podem ter morrido desde o último sábado, quando o fenômeno atingiu o país com mais de 48 milhões de habitantes. O ciclone pode ser enquadrado na categoria 3, com ventos que alcançam 190 km/h.      Veja também: Imagens dos estragos causados pelo Nargis    Se confirmado este número de mortos, este terá sido o mais grave desastre natural na Ásia desde o tsunami que atingiu partes da Indonésia e da Tailândia em 2006. Numa transmissão a partir de Naypyitaw, a capital birmanesa, a mídia estatal especificou as 3 mil pessoas estão desaparecidas somente em uma cidade no delta do Rio Irrawaddy.  Antes de elevar a quase 4 mil o número de mortos, o governo de Mianmar informava que pelo menos 351 pessoas haviam morrido em todo o país depois da passagem no sábado, do ciclone Nargis. Um representante da Organização das Nações Unidas (ONU) em Mianmar informou ainda que centenas de milhares de birmaneses estão desabrigados e sem acesso a água potável. Segundo o representante da ONU para resposta a desastres, Richard Horsey, centenas de milhares de pessoas precisam de abrigo e água potável. Ele disse, no entanto, que é impossível dizer exatamente quantas pessoas foram afetadas por causa dos estragos nas estradas e na rede telefônica. A ONU e agências de ajuda humanitária enviaram equipes de avaliação para as áreas mais atingidas, apesar de ainda não terem recebido um pedido de ajuda formal do governo do país.  O ciclone ocorreu em um momento delicado para a junta militar, que realizará um referendo sobre a nova Constituição no dia 10. Se for sentido que a junta militar não está atendendo as vítimas devidamente, os eleitores, que já culpam o governo pelo péssimo estado da economia e por impedir os avanços democráticos no país, podem votar contra o projeto da nova Carta.  O ciclone Nagris, que foi adquirindo força no Golfo de Bengala, devastou a antiga capital birmanesa, deixando as ruas cheias de veículos capotados, árvores caídas e escombros dos prédios afetados. Testemunhas disseram que o ciclone de sábado arrancou telhados de milhares de casas e deixou Rangun - onde vivem cerca de 5 milhões de pessoas - totalmente sem eletricidade. Um funcionário do departamento de eletricidade disse que era impossível prever quando será restabelecido o fornecimento de energia. Os preços de alimentos e combustíveis dispararam em Rangun nesta segunda-feira, e as agências de ajuda humanitária têm dificuldades para entregar suprimentos de emergência e chegar às áreas mais atingidas pelo ciclone. Michael Annear, chefe do departamento de desastres da Cruz Vermelha Internacional, disse que os estoques de suprimentos de emergência estão sendo distribuídos em Mianmar, mas eles vão precisar de mais. Ajuda internacional A ONU, os Estados Unidos, a União Européia UE) e outros países ofereceram ajuda a Mianmar para auxiliar as vítimas do ciclone tropical. O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, lamentou as mortes e expressou a disposição da organização multilateral de assistir o país asiático assim que o país solicitar. Os EUA abriram um fundo de ajuda através do Programa Mundial de Alimentos e de outras agências, enquanto fontes da Comunidade Européia informaram que esperariam conhecer as necessidades em Mianmar para começar a entregar assistência. Cingapura, Tailândia, Índia e outros países da região e dos demais continentes também ofereceram sua solidariedade aos birmaneses. Em Bangcoc, a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e outras agências da ONU envolvidas na resposta aos desastres naturais se reuniram para examinarem a situação e coordenarem um plano de ação que incluirá a reabertura das estradas bloqueadas. A Federação Internacional da Cruz Vermelha, presente na reunião, estabeleceu um fundo de emergência de 200 mil francos suíços (US$ 190.393) para os desabrigados. A UE ofereceu 2 milhões de euros para a assistência das vítimas do ciclone Nargis. Os primeiros fundos serão administrados pelas organizações humanitárias no país, enquanto a comissão representante do bloco reforçará suas equipes de peritos nos escritórios de Bangkok e de Nova Délhi. "Trata-se de uma catástrofe terrível que requer uma resposta humanitária veloz e eficaz", disse o comissário da UE para o Desenvolvimento, Louis Michel."Diante dessa tragédia, queremos demonstrar o que os valores de solidariedade e humanidade representam para a UE", acrescentou. Matéria ampliada às 19h25.

Tudo o que sabemos sobre:
Mianmarciclone Nagris

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.