Mianmar liberta 651 prisioneiros e EUA retomam relações

Obama elogia decisão do governo, mas pede 'mais passos' na reforma para retirada de sanções ao país asiático

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2012 | 03h00

O governo de Mianmar (ex-Birmânia) anunciou ontem a libertação de 651 prisioneiros políticos. A medida, a mais recente de uma série de reformas políticas e econômicas promovidas no país nos últimos dois anos, abriu caminho para a restauração das relações diplomáticas do país com os Estados Unidos.

Em comunicado, o presidente americano, Barack Obama, considerou a decisão do presidente Thein Sein um passo substancial rumo a reformas. Ele também defendeu mais medidas reformistas e comprometeu-se a estimular a reaproximação entre os dois países. A secretária americana de Estado, Hillary Clinton, disse que os dois países estão prontos para reabrir suas embaixadas.

Entre os presos libertados ontem estão ativistas políticos, líderes pró-democracia e de minorias étnicas, além de jornalistas e parentes do ex-ditador Ne Win. O governo conclamou todos a participar da reconstrução do país.

Um dos mais famosos deles é Min Ko Naing, líder estudantil do movimento pró-democracia de 1988, violentamente reprimido pelos militares. Ele cumpria uma pena de 65 anos de prisão. Outro preso político libertado ontem é o monge Shin Gambira, que participou da Revolução do Açafrão, como ficou conhecido o movimento de monges budistas reprimido pela junta militar em 2007.

As reformas na isolada república do Sudeste Asiático, rica em recursos naturais, começaram após as eleições de 2010 com a vitória do Partido Desenvolvimento e Solidariedade (PDS), apoiado pela junta militar que governou o país por 20 anos. O novo regime libertou a líder pró-democracia Aung San Suu Kyi e outros 200 oposicionistas, legalizou sindicatos e aliviou a censura à imprensa.

Os EUA não têm um embaixador em Mianmar desde 1988, quando uma revolta pró-democracia no país foi esmagada com violência pelo Exército. Com o foco de sua política externa deslocando-se para o Extremo Oriente, Washington iniciou uma reaproximação com o governo birmanês no ano passado, quando Hillary visitou o país.

A remoção de sanções econômicas, segundo analistas, depende ainda de outras medidas. A Casa Branca pretende esperar mais alguns meses para ver se a trégua com rebeldes separatistas karen será mantida. Washington também quer aguardar as eleições legislativas de abril e uma maior inclusão do partido de Suu Kyi na política.

Os países europeus também estão engajados em uma reaproximação com Mianmar. Na semana passada, o chanceler britânico, William Hague, visitou o país.

Neste fim de semana, é a vez do chefe da diplomacia francesa, Alain Juppé. Ainda ontem, o governo alemão anunciou que estuda retirar as sanções econômicas ao país. / AP e REUTERS

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