Mianmar não alcançou ponto para retomar democracia, diz ONU

Para enviado especial, mudanças acontecerão graças à diplomacia e ao diálogo entre oposição e governo

Efe,

19 de novembro de 2007 | 02h00

O enviado especial da ONU para Mianmar (antiga Birmânia), Ibrahim Gambari, assinalou que a Junta Militar que governa o país ainda não alcançou o esperado "ponto de não retorno" para iniciar o processo de reconciliação nacional. Mas, após duas viagens ao país, ele considerou que foram dados passos nessa direção. Em entrevista publicada, nesta segunda-feira, 19, pelo jornal The Straits Times, Gambari destacou o fato de o regime permitir sua reunião com Aung San Suu Kyi, líder da oposição que permanece sob prisão domiciliar desde 2003. Segundo o enviado especial da ONU, ela estaria convencida de que existe uma mudança de atitude dentro da Junta Militar. "Ela disse que os sinais são promissores e tem a percepção de que o regime parece mais comprometido com um diálogo e o avanço da situação", disse o diplomata nigeriano. Também destacou o fato de a Junta Militar ter autorizado a visita, na semana passada, do relator especial da ONU para os direitos humanos em Mianmar, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro. Depois de quatro anos vetado pelo regime, Pinheiropôde se encontrar com vários presos políticos birmaneses na penitenciária de segurança máxima de Insein. Gambari também observou uma mudança de atitude em relação à Junta Militar por parte de China e Índia, seus principais suportes políticos, assim como da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). No entanto, o diplomata reconheceu que não observa mudanças imediatas no horizonte, embora tenha assegurado que elas acontecerão graças ao trabalho diplomático e à retomada do diálogo entre o regime e a oposição liderada por Aung San Suu Kyi. Gambari deve assistir como convidado à Cúpula da Ásia Oriental, que na quarta-feira acontecerá em Cingapura, um dia depois da 13ª Cúpula de chefes de Estado e de governo da Asean. O grupo da Ásia Oriental é formado por Austrália, China, Coréia do Sul, Índia, Japão e Nova Zelândia, mais os dez países da Asean (Cingapura, Mianmar, Filipinas, Indonésia, Tailândia, Laos, Camboja, Vietnã, Brunei e Malásia).

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