Mianmar permite entrada de médicos da Tailândia no país

Navio francês com ajuda humanitária pode retornar por governo militar não autorizar desembarque de equipe

Agências internacionais,

17 de maio de 2008 | 13h36

Uma equipe médica taiwanesa recebeu autorização da junta militar do governo de Mianmar para ajudar as vítimas do ciclone Nargis, que atingiu o país no dia 3, em áreas cujo acesso vinha sendo limitado aos estrangeiros. A liberação aumenta as esperanças de que outras equipes sejam também autorizadas em breve a entrar no país para prestar socorro. Um navio francês carregado com 1 mil toneladas em ajuda humanitária está preparado para esperar durante "dias ou semanas" na costa de Mianmar, disse o comandante da embarcação neste sábado.   A equipe é composta por cerca de 30 médicos, enfermeiras e outros peritos médicos que devem viajar à devastada região do delta de Urrawaddy nos próximos dias para tratar de vítimas que vivem no campo ou em vilarejos distantes, disse o Dr. Surachet Satitniramai, diretor do Instituto Nacional de Serviços de Emergências Médicas da Tailândia.   As autoridades de saúde de Mianmar insistiram que os médicos deveriam ser civis e não funcionários do serviço de saúde militar e advertiram que o grupo não terá acesso a hospitais já ocupados por equipes locais. "A missão desta equipe é muito importante", disse Surachet. "Se conseguirmos ganhar a confiança do governo de Mianmar, acredito que abriremos mais o país à ajuda estrangeira", acrescentou.   Um grupo de 50 médicos e paramédicos militares indianos também recebeu aprovação para entrar em Mianmar, mas não se sabe se terão autorização para viajar da capital Rangun para as áreas mais atingidas do delta, disse um porta-voz do Força Aérea indiana.  O governo militar de Mianmar tem dificultado a entrada e a aceitação de ajuda estrangeira. Nenhum perito da Organização Mundial de Saúde recebeu aprovação para entrar no país. E como somente funcionários dos serviços locais foram autorizados a chegar nas áreas mais atingidas pelo ciclone, a coleta de números tem sido prejudicada.   A imprensa local diz que cerca de 78 mil pessoas morreram e 55 mil permanecem desaparecidas em conseqüência do ciclone dos dias 2 e 3 de maio. Grupos de ajuda calculam que pelo menos 128 mil pessoas morreram e que outras 2,5 milhões de pessoas estejam sob risco de morte, por conta de doenças e fome. A equipe taiwanesa estima que poderá atender até 500 pessoas por dia nas próximas duas semanas. Após este período, o governo de Mianmar decidirá onde a equipe poderá atuar.   Um navio francês com mil toneladas em donativos ainda não recebeu autorização para atracar e pode retornar nos próximos dias. Segundo o comandante da embarcação, a tripulação está preparada para esperar durante "dias ou semanas" na costa de Mianmar. Enquanto as autoridades birmanesas querem que as ajudas sejam entregues primeiro a elas, a França deseja levar as provisões humanitárias diretamente às zonas afetadas, segundo explicação do embaixador francês Jean Maurice Ripert, nas Nações Unidas.   O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, chamou a junta militar de "desumana" por impedir que as ajudas cheguem aos necessitados. Para Brown, a incompetência dos generais birmaneses transformou um desastre natural (o ciclone) em uma "catástrofe produzida pelo homem", segundo declarações à BBC.    

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