Mianmar se prepara para libertar vencedora de Nobel

Os preparativos estavam em andamento para a aguardada libertação da vencedora do prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, disseram hoje funcionários de Mianmar. A notícia vem a público dias após pessoas ligadas ao Exército afirmarem que o regime obteve uma vitória folgada em eleições do último fim de semana. A dissidente, que passou a maior parte das últimas duas décadas na cadeia, deve ser solta no sábado, após as criticadas eleições boicotadas pelo partido dela.

AE, Agência Estado

10 de novembro de 2010 | 12h54

"Nós não recebemos qualquer instrução dos superiores pela libertação dela ainda. Mas nós estamos preparando os planos de segurança para 13 de novembro", disse uma fonte do governo, pedindo anonimato. Segundo os advogados da dissidente, a prisão dela começou em 14 de maio do ano passado. Eles também esperam que a libertação ocorra no sábado. Algumas pessoas temem, porém, que a junta militar que governa o país, liderada pelo general Than Shwe, possa ainda buscar alguma desculpa para ampliar a sentença.

A prisão de Suu Kyi foi estendida para 18 meses em agosto do ano passado, após um incidente no qual um norte-americano nadou sem ser convidado por um lago até chegar à casa dela, que já estava em prisão domiciliar. Ela acabou condenada por receber alguém sem autorização, mas disse que não tinha convidado o norte-americano para sua casa. Com essa punição, acabou permanecendo detida durante as eleições.

Um advogado de Suu Kyi disse hoje que ela deve dar uma entrevista coletiva na sede do seu partido, caso seja libertada. Ou seja, ele afirma que ela não aceitará a pressão das autoridades para restringir suas atividades políticas.

Há duas décadas, o partido de Suu Kyi, a Liga Nacional pela Democracia, venceu com folga eleições gerais. No entanto, o partido nunca teve permissão para assumir o governo. A libertação é vista por observadores como uma tentativa do regime de aplacar as críticas após a eleição de domingo. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi uma das vozes a criticar a disputa como injusta.

Funcionários tailandeses afirmaram hoje que 20 mil refugiados já retornaram a Mianmar após cruzarem a fronteira em meio a confrontos envolvendo forças do governo e rebeldes étnicos. Segundo a imprensa estatal, três civis morreram e 20 ficaram feridos nos distúrbios, atribuídos a "terroristas". Além disso, um policial morreu e quatro soldados ficaram feridos em um outro incidente fronteiriço. As informações são da Dow Jones.

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