Mianmar sugere que libertação de oposicionista está distante

Há 12 anos em prisão domiciliar, Suu Kyi permanecerá detida até a aprovação de nova Constituição

Reuters,

08 de outubro de 2007 | 11h37

A Junta Militar birmanesa indicou nesta segunda-feira, 8, que a líder oposicionista Aung San Suu Kyi ficará sob prisão domiciliar até a aprovação de uma nova Constituição, uma perspectiva frágil e distante, segundo a maioria dos analistas.   Veja também: Vídeo da CNN mostra prisões em massa  População apóia protesto dos monges UE aprova sanções contra regime militar Entenda a crise e o protesto dos monges  Dissidentes cibernéticos driblam censura    A Nobel da Paz Suu Kyi passou quase 12 dos últimos 18 anos sob prisão domiciliar.   Um comentário no jornal Nova Luz de Mianmar, porta-voz oficial do regime, também menosprezou as exigências de milhares de manifestantes que participaram dos protestos do mês passado, os maiores no país em quase 20 anos, alvo de dura repressão.   "As três exigências dos manifestantes - redução dos preços ao consumidor, libertação de Daw (um título honorífico) Aung San Suu Kyi e a reconciliação nacional - não podem ser satisfeitas por meio de protestos", disse o jornal.   "Agora, os responsáveis estão fazendo arranjos para reduzir a Constituição do Estado e recolher a lista de eleitores. Quando a Constituição do Estado for aprovada, o cumprimento das três exigências estará ao alcance."   Um referendo sobre a nova Constituição é o quarto estágio do "mapa para a democracia" idealizado pelos militares, com sete passos. O primeiro deles, uma Convenção Nacional que preparou os "princípios básicos detalhados" da Carta, durou 14 anos.   Já o passo dois, "implementação passo-a-passo do processo necessário para a emergência de um Estado democrático genuíno e disciplinado", é obscuro para a maioria das pessoas, daí que sua conclusão seja impossível de prever.   O passo três é a redação da Constituição, um processo que muitos achavam que caberia à Convenção Nacional, cujos trabalhos intermitentes foram em geral boicotados pela Liga Nacional para a Democracia, o partido de Suu Kyi.   Vitorioso na eleição de 1990, a Liga foi impedida de chegar ao poder pelos militares, que dominam o país desde 1962.   Após os protestos de setembro, o general Than Shwe, chefe da junta, dono de um ódio declarado por Suu Kyi, ofereceu-se para conversar diretamente com ela caso a ativista, de 62 anos, abandone o "confronto", o apoio a sanções internacionais e a "total devastação."   Mas muitos analistas duvidam da disposição do governo para negociações, ainda que preliminares, e a maioria vê no "mapa para a democracia" uma estratégia do regime para se perpetuar.   Em 1988, até 3 mil pessoas supostamente foram mortas durante a repressão a várias semanas de manifestações lideradas por estudantes. Os protestos de setembro, que ocuparam em seu auge cinco quarteirões de Rangun, foram liderados por monges budistas.

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