Mianmar: Suu Kyi deve obter assento no Parlamento

Simpatizantes da líder de oposição Aung San Suu Kyi comemoraram com euforia o anúncio feito neste domingo por seu partido de que havia conseguido um assento no Parlamento após histórica eleição em Mianmar. A vitória, se confirmada, dará a Suu Kyi um cargo público pela primeira vez, representando um marco na Nação do sudeste asiático, que os militares controlam quase que exclusivamente por meio século e onde o novo governo reformado pretende obter legitimidade e o apoio do Ocidente. Sua vitória representará também um prêmio em sua carreira política e uma reviravolta espetacular no destino da ganhadora do prêmio Nobel da Paz, que a junta militar manteve presa em casa por cerca de duas décadas.

CYNTHIA DECLOEDT, Agência Estado

01 de abril de 2012 | 09h46

A vitória foi anunciada em um placar digital sobre a sede da Liga Nacional pela Democracia, na cidade de Yangon, principal de Mianmar, onde mais de mil pessoas se reuniam. "Vencemos, vencemos", diziam os simpatizantes, ao mesmo tempo em que batiam palmas, dançavam e balançavam as bandeiras vermelhas do partido. O resultado tem de ser confirmado pela comissão oficial eleitoral, declaração que pode demorar alguns dias.

A Liga Nacional pela Democracia denunciou várias irregularidades durante a votação. Segundo o porta-voz do partido, Nyan Win, até o meio dia o partido já havia feito registro de mais de 50 irregularidades para a Comissão Eleitoral. Entre as acusações constava a de cédulas que haviam sido enceradas para dificultar que o papel fosse assinalado e da falta do selo da Comissão Eleitoral em cédulas, o que as fazem com que sejam consideradas inválidos.

As eleições deste domingo são para preencher apenas 45 assentos que estavam vagos no Parlamento Nacional de 664 cadeiras e não devem mudar o poder do atual governo, que ainda é fortemente controlado por generais aposentados. Suu Kyi e outros candidatos da oposição não terão voz de decisão no Parlamento. Mesmo assim, trazem esperança as massas de Mianmar, que cresceram sob o comando dos militares. A vitória de Suu Kyi deve também simbolizar um grande avanço em direção à reconciliação nacional. As informações são da Associated Press.

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