JORGE SILVA
JORGE SILVA

Mianmar tem dia histórico de eleições; apuração ainda pode demorar

Pleito já está sendo questionado pelo partido da líder oposicionista Aung San Suu Kyi, a Liga Nacional pela Democracia (LND)

Agência Estado, Estadão

08 de novembro de 2015 | 08h31

Mianmar promoveu neste domingo as eleições mais livres em mais de meio século da história do país. A expectativa é de que os resultados oficiais comecem a ser divulgados na segunda-feira e que a apuração demore a ser concluída, mas o pleito já está sendo questionado pelo partido da líder oposicionista Aung San Suu Kyi, a Liga Nacional pela Democracia (LND).

As urnas foram fechadas no final da tarde (início da manhã em Brasília), embora alguns eleitores remanescentes ainda estivessem depositando seus votos. Suu Kyi votou em meio a uma multidão barulhenta que se reuniu do lado de fora do posto eleitoral em Yangon. Entre os apoiadores dela, era forte a esperança de que a LND poderia superar o partido governista, ligado aos militares que há muito dominam o país.

A ativista política, que por anos simbolizou a luta do país do sudeste asiático contra os militares, teve que se espremer entre profissionais da imprensa e uma multidão de apoiadores, que a receberam gritando "vitória, vitória!".

As eleições levaram anos para serem preparadas e é esperado que elas produzam o resultado de maior credibilidade no país desde 1962, abrindo o caminho para o desenvolvimento da democracia, que vem se estabelecendo de forma ainda frágil desde que o exército começou a deixar o poder cinco anos atrás.

Em algumas regiões, porém, eleitores afirmaram que não puderam votar pois não encontraram seus nomes nas listas de registro. Essas listas foram alvo de críticas antes do início das eleições, com a oposição e oficiais do governo reclamando que milhares de pessoas haviam sido excluídas.

Membros da minoria étnica Rohingya não tiveram o direito de votar, apesar de terem podido participar em eleições anteriores.

Os problemas apareceram em várias partes do país neste domingo, especialmente em regiões densamente povoadas, como o distrito de Hlaing Thayar, em Yagon. Na região industrial empobrecida e repleta de migrantes de outras partes do país, trabalhadores nas estações de votação disseram que dezenas de pessoas foram até os pontos e descobriram que seus nomes não estavam nos registros.

"Estamos perdendo nossos direitos como cidadãos por não estarmos podendo votar", disse Khine Khine Ma, cuja irmã lacrimejava por ter ficado de fora da lista. O restante de seis pessoas da mesma família puderam votar.

Um pescador, Aung Aung, disse que tentou três vezes ter seu nome acrescentado após checar versões anteriores da lista, mas ainda assim foi excluído da votação deste domingo. Apesar de muita empolgação ao seu redor, ele disse que não sentia "felicidade alguma".

Monitores e observadores oficiais disseram que as irregularidades até o momento parecem ser aleatórias, em vez de parte de um esforço coordenado de fraude. Eles afirmam que as exclusões foram menores do que o esperado.

O partido de Suu Kyi, no entanto, deve usar essas irregularidades para desmerecer as eleições. No sábado, a LND disse que havia encontrado o que descreveu como "evidência forte" de que a comissão eleitoral estava tentando manipular o voto usando cédulas adicionais.

Filas de eleitores davam voltas em torno das estações de votação desde antes do amanhecer na região, com multidões destacando a importância que tem para muitos eleitores a oportunidade de eleger novos legisladores. Cerca de 33 milhões de pessoas estavam habilitadas a votar.

O resultado final, porém, não é esperado em menos de dois dias e pode demorar até mais que isso.

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