Justin Lane/EFE/EPA
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Michael Bloomberg entra em pesquisa e se qualifica para o debate Democrata em Las Vegas

O bilionário vai dividir o palco pela primeira vez com seus rivais Democratas nesta quarta-feira, 19, após pesquisa nacional mostrar apoio de 19% dos votos.

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2020 | 09h17

WASHINGTON - O ex-prefeito de Nova York Michael R. Bloomberg está qualificado para participar do debate do Partido Democrata desta quarta-feira, 19, em Las Vegas. Será a primeira vez na campanha em que o bilionário debaterá ao lado de seus rivais pela indicação do partido.

Uma pesquisa eleitoral realizada pela NPR, PBS NewsHour e Marist divulgada nesta terça-feira, 18, mostrou que Bloomberg tem o apoio de 19% do eleitorado, o que o colocaria em segundo lugar, atrás apenas do ex-senador Bernie Sanders, que aparece com 31% das intenções de voto.

A pesquisa mostra um avanço considerável em relação a outra realizada em dezembro do ano passado, quando o bilionário apareceu com apenas 4%.

O levantamento foi a quarta vez que o ex-prefeito de Nova York apareceu no páreo nacional desde janeiro com pelo menos 10% das intenções de voto, o bastante para garanti-lo um convite para o debate em Las Vegas.

Além do ex-prefeito, participam do debate ao vivo os pré-candidatos Bernie Sanders, Elizabeth Warren, Joe Biden, Amy Klobuchar e Pete Buttigieg.

CORRIDA ELEITORAL

Bloomberg entrou formalmente na corrida pela vaga Democrata à presidência em novembro, quase um ano depois da maioria dos candidatos. Ele não conseguiu se qualificar para os debates anteriores, em Iowa e New Hampshire, em parte porque não aceita financiamento externo de campanha. No entanto, novas regras anunciadas pelo Comitê Nacional do Partido Democrata abriram as portas para sua participação, pois permitiram que o candidato se qualifique para o debate mesmo que não contem com um doador.

O chefe da campanha de Bloomberg, Kevin Sheekey, afirmou no mês passado que quando as novas regras fossem anunciadas, caso qualificassem Bloomberg, ele participaria do debate.

"Nós estamos emocionados que os eleitores poderão em breve ter a chance de ver Mike Bloomberg em um debate, ouvir sobre a visão de país que ele tem e observar que ele é o candidato mais forte para derrotar Donald Trump e unir nosso país", disse Sheekey.

CANDIDATOS FORA DO DEBATE

Outro bilionário em busca da vaga Democrata para as eleições nacionais, Tom Steyer provavelmente não estará no palco durante o debate em Las Vegas. Steyer participou dos últimos cinco debates, mas precisa conseguir 10% das intenções de votos em pelo menos 4 pesquisas nacionais até o prazo estabelecido pelo partido, que é esta terça.

Já o candidato Tulsi Gabbard, do Havaí, último candidato ainda na disputa, ainda não alcançou o mínimo de intenções de voto até o momento.

Segundo as regras, os candidatos conseguiriam se qualificar para os debates de Nevada e Carolina do Sul caso conseguissem pelo menos um delegado em Iowa ou New Hampshire. Essa foi a chave para Amy Klobuchar ser convidada para Las Vegas.

GASTOS DE CAMPANHA

Bloomberg já gastou pelo menos US$ 300 milhões em propagandas de televisão exibidas em rede nacional, o que é mais do que o valor investido por todos os outros candidatos juntos.

Ele decidiu não participar das quatro primeiras etapas, realizadas em estados onde as campanhas tradicionalmente passam quase um ano em busca de apoiadores, e focou em estados com mais delegados.

O ex-prefeito de Nova York viu seu nome crescer nas pesquisas nacionais a medida que os eleitores era saturados com as propagandas na televisão. Enquanto isso, seus rivais ficaram divididos entre atacá-lo ou defender-se dos ataques dos outros nas fases anteriores.

Agora, quando entra definitivamente na disputa, Bloomberg certamente se tornará o alvo dos ataques dos rivais, principalmente de Sanders e Warren, dois candidatos que não recebem financiamentos de fundos privados e que tornaram a ira de bilionários o aspecto central de suas campanhas.

ATAQUES DOS RIVAIS

Na semana passada, na Virgínia, Elizabeth Warren disse a apoiadores que Bloomberg não deveria ser a indicação Democrata para disputar a presidência por causa de suas observações anteriores sobre o redlining, uma pratica habitacional discriminatória.

Durante o final de semana, outros Democratas fizeram coro contra o bilionário concorrente. Em discurso público em Carson City, Nevada, Bernie Sanders disse que os americanos "estavam cansados de bilionários comprando eleições."

Já Joe Biden atacou o histórico de Bloomberg enquanto prefeito de Nova York, enquanto Amy Klobuchar denunciou que o candidato não estaria sendo transparente e atendendo a imprensa como ela está fazendo.

PASSADO REPUBLICANO

Michael Bloomberg, que surgiu nos últimos anos como um benfeitor financeiro de candidatos Democratas e de algumas causas liberais, como o controle de armas e a proteção ambiental, entrou na política pelo Partido Republicano, pelo qual concorreu à prefeitura de Nova York, em 2001. Ele endossou a candidatura do Presidente George W. Bush, em 2004, na convenção nacional da sigla.

Ele também deu suporte a outros Republicanos, incluindo os senadores Scott Brown, de Massachusetts, que fez oposição a Elizabeth Warren em 2012, e Pat Toomey, da Pennsylvania, um aliado na luta pelo controle da venda de armas, em 2016./ THE NEW YORK TIMES

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