AFP PHOTO / HECTOR RETAMAL
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Michael Cohen, o advogado que lucrou com o presidente

Empresas como Novartis e AT&T pagaram a Michael Cohen para obter informações privilegiadas sobre novo governo

O Estado de S.Paulo

11 Maio 2018 | 05h00

Depois de pagar uma atriz pornô e cumprir outras tarefas para ajudar seu chefe a chegar à presidência, Michael Cohen ficou surpreso ao descobrir que as portas da Casa Branca estavam fechadas para ele. Cohen não conseguiu o emprego tão aguardado no governo de Donald Trump. Em janeiro de 2017, Cohen deixou as Organizações Trump, onde trabalhou por muito tempo sem um cargo claro. Mas conseguiu transformar o que parecia ser um exílio em uma lucrativa oportunidade.

+ Empresa de fachada de advogado de Trump recebeu US$ 4,4 milhões

Com o título de “advogado pessoal” do presidente, Cohen, que trabalhava em casos de lesões corporais e era dono de uma empresa de táxi, se tornou o homem que poderia ajudar os outros a ter acesso a Trump. Grandes corporações pagaram a ele mais de US$ 2 milhões por conselhos sobre como navegar pelo terreno desconhecido da Washington de Trump.

A maioria dos arranjos permaneceu secreta até terça-feira, quando os detalhes apareceram em um relato de Michael Avenatti, advogado de Stormy Daniels, a atriz pornô que recebeu US$ 130 mil para se calar sobre o caso que teve com Trump. O New York Times confirmou muitas das revelações de Avenatti por meio de registros financeiros.

Na quarta-feira, novos detalhes surgiram. A Novartis, laboratório suíço, disse que pagou a Cohen US$ 1,2 milhão depois que ele procurou a empresa, no início do ano passado, prometendo detalhes da opinião de Trump sobre o sistema de saúde. A AT&T, que busca uma importante fusão, disse que pagou US$ 600 mil para consultoria em questões regulatórias. As duas empresas revelaram ainda que foram questionadas pela equipe do procurador especial, Robert Mueller, que investiga a interferência russa na eleição de 2016. Mueller também interrogou um oligarca russo ligado a outra empresa, a Columbus Nova, que pagou a Cohen US$ 500 mil por uma consultoria no ano passado.

Os pagamentos totalizaram US$ 4,4 milhões que, entre outubro de 2016 e janeiro deste ano, passaram pela Essential Consultants, mesma empresa de fachada que Cohen usou para pagar Stormy Daniels. Cohen é alvo de uma investigação do FBI e teve sua casa e escritórios invadidos no mês passado. Não está claro o que ele revelou aos clientes. Um deles interrompeu seu contrato, mas outro pagou mesmo depois de concluir que ele não poderia dar o que prometera.

De todas as empresas que deram dinheiro a Cohen, a AT&T era a que mais tinha razões prementes: em outubro de 2016, poucas semanas antes da eleição, ela anunciou a intenção de se fundir com a Time Warner, cuja divisão de TV inclui o canal mais detestado pelo presidente, a CNN. Trump criticou o acordo. “A AT&T está comprando a Time Warner e, assim, a CNN, um acordo que não aprovaremos em meu governo porque é muita concentração de poder nas mãos de poucos”.

A AT&T, que tem laços com o establishment republicano, não estava preparada para a vitória de Trump. Seu principal lobista, James Cicconi, republicano que trabalhou nos governo de Ronald Reagan e George H. Bush, rompeu com o partido para apoiar Hillary Clinton.

Nada disso caiu bem para uma empresa que buscava aprovar uma fusão de US$ 85,4 bilhões. Rapidamente, a AT&T doou US$ 2 milhões para a cerimônia de posse e um outros US$ 80 mil para equipamentos de telecomunicações usados no evento. Foi nessa época que funcionários da AT&T e Cohen se encontraram pela primeira vez.

Quanto à Novartis, ela estava preocupada com as promessas de Trump de acabar com o Obamacare e com suas reclamações sobre o preço dos remédios. Cohen procurou os executivos da empresa, no início de 2017, apresentando-se como conhecedor do presidente. A Novartis disse que logo descobriu que Cohen não poderia fornecer os serviços oferecidos. A empresa pensou em encerrar o contrato, mas recebeu a informação de que apenas o poderia fazer por algum motivo, então continuou pagando até que o acordo expirasse.

Em documentos apresentados na quarta-feira, os advogados de Cohen tentaram proibir Avenatti de comparecer a um tribunal de Manhattan, dizendo que ele havia obtido ilegalmente os registros bancários de Cohen e divulgado informações falsas. Enquanto isso, o Departamento do Tesouro examina se houve vazamento dos registros financeiros confidenciais do advogado de Trump. / NYT

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