AFP PHOTO / MANDEL NGAN
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Michael Flynn, ex-conselheiro de Trump, recebeu mais de US$ 50 mil de grupos russos

Documentos publicados pelo Congresso mostram que emissora Russia Today, companhia aérea Volga-Dnepr e empresa de cibersegurança Kaspersky fizeram pagamentos ao general da reserva, violando regra do Departamento de Defesa dos EUA

O Estado de S.Paulo

17 de março de 2017 | 09h01

WASHINGTON - Michael Flynn, ex-conselheiro de Segurança Nacional do presidente americano, Donald Trump, recebeu mais de US$ 50 mil em 2015 de três empresas russas ou vinculadas com a Rússia, segundo documentos publicados na quinta-feira no Congresso.

General da reserva e diretor de inteligência militar sob a administração de Barack Obama, Flynn recebeu US$ 33.750 por ter participado de uma festa de aniversário da emissora Russia Today, próxima ao Kremlin, em dezembro de 2015. Já era sabido da sua participação neste evento, em que ficou sentado ao lado do presidente Vladimir Putin durante o jantar, mas o montante de sua remuneração era desconhecido até o momento.

Funcionários democratas da comissão de investigação permanente da Câmara dos Deputados obtiveram e publicaram vários documentos, como mensagens, recibos e um cheque, que revelam o montante da transação, assim como gastos de transporte e de hospedagem que também foram pagos.

As regras do Departamento de Defesa proíbem que seus oficiais, inclusive os da reserva, recebam dinheiro de governos estrangeiros.

Flynn também foi remunerado com US$ 11.250, em agosto de 2015, pela companhia aérea russa Volga-Dnepr, e com outros US$ 11.250, em outubro do mesmo ano, pela filial americana da grande empresa russa de cibersegurança Kaspersky Lab.

O militar se tornou um dos conselheiros próximos do candidato Trump durante a campanha das primárias presidenciais republicanas em 2016.

Flynn também recebeu US$ 530 mil por atividades de lobby em benefício da Turquia entre agosto e novembro de 2016, época em que já aconselhava Trump.

Ele foi nomeado conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca em novembro, mas pediu demissão em 13 de fevereiro, depois da revelação de repetidos contatos com o embaixador russo nos Estados Unidos sobre as sanções de Washington contra Moscou. / AFP

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