Micheletti deixa sede do governo sem renunciar ao cargo

O presidente de facto de Honduras, Roberto Micheletti, deixou na noite de ontem o escritório presidencial para dar espaço ao presidente eleito, Porfirio Lobo, que assume no dia 27. "Minha decisão é pessoal e responsável, pensando no bem-estar dos hondurenhos e de meu país, que tanto amo", afirmou, após sair da casa presidencial. O conselho de ministros ficará à frente do país até a posse de Lobo. "Não renuncio ao cargo, só me afasto temporariamente", esclareceu Micheletti. Uma atitude similar foi adotada por ele uma semana antes das eleições gerais de novembro.

AE-AP, Agencia Estado

22 de janeiro de 2010 | 11h15

Em uma mensagem divulgada por rádio e televisão, Micheletti pediu à comunidade internacional que apoie Lobo, "para dar a ele a oportunidade de consolidar o desenvolvimento que merece o país". Após o golpe de Estado que depôs o presidente Manuel Zelaya, em 28 de junho do ano passado, Honduras foi expulsa da Organização dos Estados Americanos (OEA) e perdeu o apoio de instituições de crédito.

Os militares hondurenhos prenderam e expulsaram Zelaya para a Costa Rica, após o líder convocar uma Assembleia Constituinte. Os oposicionistas acusavam Zelaya de tentar alterar a Carta para tentar a reeleição. Em seguida, o Congresso designou Micheletti, então presidente da Câmara, para assumir a presidência.

Zelaya voltou a Tegucigalpa em 21 de setembro e, desde então, está abrigado na Embaixada do Brasil na capital hondurenha. Um assessor jurídico dele, Rasel Tomé, disse que Zelaya pretende sair da sede diplomática rumo à República Dominicana "se houver as condições necessárias para isso".

Salvo-conduto

Na quarta-feira, o governo da República Dominicana e Lobo firmaram um acordo para garantir um salvo-conduto a Zelaya, segundo um porta-voz de Santo Domingo. Caso confirmado, o pacto permitirá a saída de Zelaya da embaixada e do país. O presidente dominicano, Leonel Fernández, reconheceu Lobo como futuro presidente de Honduras e pediu que a comunidade internacional faça o mesmo, retirando as sanções ao país. Em comunicado, Zelaya elogiou Fernández por sua atuação para resolver o impasse.

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