Micheletti diz que é seu 'último dia' na presidência

O presidente de facto de Honduras, Roberto Micheletti, afirmou hoje que abandonará a presidência temporariamente. Micheletti disse que esta quinta-feira é seu "último dia na presidência". A saída ocorre para dar espaço ao presidente eleito, Porfirio Lobo, que assume no dia 27.

AE-AP, Agencia Estado

21 de janeiro de 2010 | 14h16

"Este é meu último dia na presidência...me retiro para minha casa pela paz da nação e porque não quero ser um obstáculo para o novo governo", afirmou Micheletti, em entrevista ao canal 5. Ele disse que ainda presidirá uma reunião do conselho de ministros, que ficará à frente da administração.

"Nos próximos dias baixarei meu perfil político e ficarei de lado, para que o novo governo tenha mais espaço para atuar", afirmou o presidente de facto. "Não renuncio ao cargo, só me afasto temporariamente", esclareceu.

Uma atitude similar foi adotada por Micheletti uma semana antes das eleições gerais de novembro. Micheletti disse que pode retornar, caso as circunstâncias exijam.

Micheletti alegou que "apenas cumpri minha missão de salvar Honduras de um homem que, como (o presidente venezuelano) Hugo Chávez, tentou mudar o destino democrático do país". O presidente de facto se referiu ao golpe de Estado que derrubou o então presidente Manuel Zelaya, em meados do ano passado. Zelaya foi levado para a Costa Rica, por tentar convocar uma Assembleia Constituinte a fim de alterar a Constituição para poder concorrer à reeleição. Em seguida, Micheletti foi designado pelo Congresso como presidente até que o próximo líder eleito assumisse.

Zelaya retornou a Tegucigalpa em 21 de setembro e desde então está refugiado na Embaixada do Brasil. Para resolver o impasse, Lobo firmou, na quarta-feira, em Santo Domingo, um acordo com o presidente dominicano, Leonel Fernández. Pelo pacto, Zelaya receberia um salvo-conduto para deixar o país rumo à República Dominicana, onde seria recebido como hóspede. Micheletti não quis se pronunciar sobre o tema.

Fernández reconheceu o governo eleito de Lobo e pediu à comunidade internacional que faça o mesmo, levantando as sanções contra Honduras. O país foi expulso da Organização dos Estados Americanos (OEA) após o golpe.

Sem esclarecer se aceita ou não a proposta, Zelaya elogiou a postura do presidente dominicano, em comunicado divulgado na noite de ontem.

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