Micheletti e Zelaya dão sinais de saída negociada

Os sinais de uma possível saída negociada para a crise ganharam força ontem, com uma aproximação entre as condições impostas pelo presidente de facto, Roberto Micheletti, para entregar o poder, e as concessões que o presidente deposto, Manuel Zelaya, declarou estar disposto a fazer. Os dois pontos-chave são a possibilidade de Zelaya ser julgado pelos supostos crimes que cometeu e a redução de seus poderes numa volta negociada até as eleições de 29 de novembro.

AE, Agencia Estado

02 de outubro de 2009 | 08h21

O presidente da Associação Nacional das Indústrias, Adolfo Facussé, afirmou que Micheletti aceitou a proposta dos empresários, de deixar o cargo se Zelaya se submeter à Justiça e delegar a presidência a um conselho de ministros. "Se o senhor Zelaya disser que aceita (a proposta feita na terça-feira), terminou o problema", declarou Facussé à agência France Presse, após se reunir com Micheletti. De acordo com a proposta, que Micheletti rejeitara na quarta-feira, Zelaya seria restituído à presidência com poderes limitados, como prevê o Acordo de San José, e teria de responder aos 18 processos que acumula na Justiça.

Em encontro com seis deputados brasileiros na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, Zelaya se disse disposto a ser processado e julgado pelos crimes dos quais é acusado, e também a "abrir mão de boa parte de seus poderes", segundo relatou ontem à noite o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), ao sair da embaixada brasileira. Zelaya advertiu que, se uma saída não for encontrada dentro de duas semanas, não haverá mais condições para realizar as eleições em novembro.

Zelaya foi destituído pelo Congresso em 28 de junho, sob acusação de não obedecer a decisões da Corte Suprema, que o impediam de realizar uma consulta popular sobre a convocação de uma Assembleia Constituinte. A Corte também impugnou sua decisão de destituir o general Romeu Vásquez, comandante das Forças Armadas, que se recusara a realizar a consulta popular. Mas não houve julgamento pela Corte da destituição de Zelaya, que, portanto, não teve chance de defender-se. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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