Micheletti emite decreto contra 'anarquia' da imprensa

Em mais uma medida destinada a controlar vozes de oposição em Honduras, o governo de facto de Roberto Micheletti emitiu um decreto que lhe permitirá revogar as licenças de veículos de imprensa que incitem à "anarquia social" e ao "ódio nacional". O polêmico decreto, publicado na sexta-feira no Diário Oficial, veio a público ontem.

AE, Agencia Estado

11 de outubro de 2009 | 10h13

A demonstração de força do governo golpista ocorre em meio a um avanço tímido no diálogo entre representantes de Micheletti e do presidente deposto, Manuel Zelaya. Os dois campos já teriam entrado em acordo sobre a necessidade de formar um governo de unidade nacional e de não promover uma anistia geral, revelou ontem um dos principais negociadores de Zelaya.

Há uma semana, o governo de facto anunciou que levantaria o estado de sítio imposto no dia 28, sete dias após a volta do presidente deposto a Honduras. Mas, como a medida não foi publicada no Diário Oficial, tecnicamente continua em vigor.

Fechados por soldados encapuzados há duas semanas, a Rádio Globo e o Canal 36 - ambos partidários de Zelaya - permanecem fora do ar. Rodnei Moncada, assessor do Ministério de Informação e Imprensa do governo de facto, admitiu que, com o decreto de ontem, "é possível" que novos veículos de comunicação sejam fechados nos próximos dias. "Trata-se de um acordo executivo com o objetivo de proteger tanto os cidadãos hondurenhos quanto o Estado."

O alvo da medida, afirmou Moncada, são empresas de comunicação que têm "pendências judiciais". No entanto, o texto do decreto fala explicitamente em coibir grupos que incitem à "desordem". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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