Micheletti fala em 'compasso de espera' em Honduras

O governo do presidente de facto de Roberto Micheletti em Honduras determinou um "compasso de espera" durante o fim de semana, em meio à crise política vivida pelo país. Em comunicado, ele afirmou que, "dando novamente espaço de reflexão ao sr. Zelaya (presidente deposto, Manuel Zelaya)", decidiu dar "um compasso de espera durante este fim de semana para conseguir formar o governo de unidade e reconciliação". Micheletti espera que o rival envie uma lista de nomes para a formação do governo de união. Já Zelaya declarou ontem que houve um "fracasso" no acordo entre as duas partes.

AE-AP, Agencia Estado

07 Novembro 2009 | 14h12

O líder deposto ressaltou que era necessária primeiro sua volta ao poder para que então um governo de coalizão fosse montado. "Falando na prática, nós decidimos não continuar com esse teatro do sr. Micheletti", disse Zelaya. "Eu cedi tudo que me pediram para demonstrar que tenho altíssimos níveis de tolerância, mas minha tolerância não chega a negociar o mandato da soberania popular e do povo", afirmou Zelaya, em entrevista à Rádio Globo local. Segundo ele, seu mandato como presidente "não é negociável".

Deposto e expulso em um golpe em 28 de junho, Zelaya retornou em segredo ao país e desde 21 de setembro está abrigado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa. No dia 30 de outubro, negociadores dos dois lados firmaram um pacto para encerrar a crise no país. O texto prevê que o Congresso decida sobre a volta ou não de Zelaya, mas não estabelece data para isso. Os deputados antes receberão informes de algumas instituições, entre elas a Corte Suprema, para então tomar a decisão.

Ontem, o governo norte-americano e a Organização dos Estados Americanos (OEA) lamentaram o retrocesso na negociação política. O cerne da disputa entre os dois lados é quem ocupará a presidência. O governo de facto afirma que Micheletti deve manter o posto enquanto não houver uma decisão do Congresso, opção rechaçada por Zelaya. O líder deposto quer voltar ao cargo o mais rápido possível, mas não há prazo para a decisão dos congressistas.

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