Michelle Bachelet vence eleição presidencial no Chile

As urnas indicam que a candidata socialista Michelle Bachelet obteve uma sólida vitória nas eleições presidenciais do Chile realizadas neste domingo, sobre o candidato conservador Sebastián Piñera, que já reconheceu sua derrota, agradecendo aos seguidores da Alianza pelo Chile, desejando sucesso a Bachelet. Manchete da edição online do jornal chileno La Tercera indica: "Bachelet se converte na primeira mulher Presidente do Chile".Com 67% das urnas apuradas e mais de 8 milhões de votos contados, Bachelet contabiliza 53,2% dos votos enquanto o candidato da direita, Sebastián Piñera, ficou com 46,7% dos votos, conforme divulgou o subsecretário do Interior Jorge Correa Sutil.Este primeiro cômputo totalizou 4.612.578 votos válidos, emitidos em 22.191 mesas de todo país, equivalentes a 67,31% do total. Foram 2,1% de votos nulos e 0,66% de votos em branco.Michelle Bachelet representa a Concertação pela Democracia, a coalizão de centro-esquerda que governa o Chile desde 1990. Uma ex-prisioneira política, ela é a primeira mulher a presidir o país e presidirá o quarto governo da Concertação.Quem é Michelle BacheletMulher, separada, mãe de três filhos de pais diferentes e atéia, Michelle Bachelet tem um perfil no mínimo curioso para assumir o cargo de Presidente do Chile, uma sociedade fortemente patriarcal, altamente conservadora e fervorosamente católica.A ditadura militar de Augusto Pinochet marcou profundamente sua história. Seu pai era brigadeiro da Força Aérea durante o governo de Salvador Allende. Após o golpe de 1973, ele foi preso e torturado, antes de morrer na prisão em conseqüência de problemas cardíacos. Ela e sua mãe também foram vítimas de tortura nos porões da temida Direção Nacional de Inteligência, a Dina, polícia política do regime. Após a morte do pai, ambas foram obrigadas a exilar-se.Michele nasceu em 1951 e formou-se em medicina pela Universidade do Chile. Depois do fim do regime de Augusto Pinochet, voltou ao país e passou a militar em grupos de parentes de vítimas da ditadura. Nunca foi uma figura destacada do círculo decisório da Concertação.Foi nomeada ministra da Saúde do governo de Ricardo Lagos depois de trabalhar em outras áreas do ministério. Fez pós-graduação em assuntos de defesa durante o exílio, na antiga Alemanha Oriental. Por conta disso, tornou-se ministra da Defesa depois de deixar o Ministério da Saúde deu início ao processo de modernização das Forças Armadas. Além do espanhol, fala inglês, francês e alemão.É extremamente reservada quando se trata de sua vida privada e chega a se irritar com perguntas sobre sua família. Nas primárias da Concertação, derrotou uma das políticas favoritas para conseguir a candidatura à presidência, a ex-ministra democrata-cristã Soledad Alvear.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.